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<journal-title>Translating the Americas (LACS)</journal-title>
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<article-title>&#x201C;As ideias de liberdade penetraram profundamente&#x201D;. Comunica&#x00E7;&#x00E3;o e revolu&#x00E7;&#x00E3;o, 1789&#x2013;1793</article-title>
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<pub-date><day>11</day><month>1</month><year></year></pub-date>
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<issue-title>Winter 2025</issue-title>
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<license-p>CC BY-NC-ND 4.0</license-p>
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<abstract id="ABS1"><p id="P1">This essay is a Portuguese translation of Chapter 4 of Julius S. Scott&#x2019;s <italic>The Common Wind: Afro-American Currents in the Age of the Haitian Revolution</italic> (Verso, 2018). The translation was completed by Elizabeth (Bebete) Martins, who can be reached at <email>bmartins@umich.edu</email>.</p></abstract>
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<p>Se o fluxo transatl&#x00E2;ntico de not&#x00ED;cias parecia particularmente intenso nos anos que antecederam a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Haitiana, a rede regional de comunica&#x00E7;&#x00E3;o &#x2013; o &#x201C;vento comum&#x201D;, que conectava as sociedades afro-americanas &#x2013; revelou-se ainda mais ativa. No final da d&#x00E9;cada de 1780 e in&#x00ED;cio da d&#x00E9;cada de 1790, as correntes da revolu&#x00E7;&#x00E3;o alcan&#x00E7;aram todas as partes do Caribe. Ao longo das diversas vias de contato entre as col&#x00F4;nias, os rumores e os relatos de fontes inglesas, espanholas e francesas se entrela&#x00E7;avam e mutuamente refor&#x00E7;avam a ideia de que a emancipa&#x00E7;&#x00E3;o estava ao alcance das m&#x00E3;os e, finalmente, instigando rebeli&#x00F5;es armadas nas col&#x00F4;nias inglesas e francesas. No per&#x00ED;odo imediatamente anterior a 1793, a cont&#x00ED;nua rebeli&#x00E3;o de negros e de outros grupos de pessoas n&#x00E3;o brancas em S&#x00E3;o Domingos serviu de inspira&#x00E7;&#x00E3;o para os que aspiravam a ser revolucion&#x00E1;rios em outras regi&#x00F5;es, enquanto a restri&#x00E7;&#x00E3;o do tr&#x00E2;nsito de pessoas e ideias havia se tornado uma quest&#x00E3;o imprescind&#x00ED;vel para os governantes em territ&#x00F3;rios de l&#x00ED;ngua inglesa e espanhola.</p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Os estudos sobre o com&#x00E9;rcio s&#x00E3;o parte fundamental da historiografia sobre as Am&#x00E9;ricas no s&#x00E9;culo XVIII. Mesmo assim, sem exce&#x00E7;&#x00E3;o, esses estudos n&#x00E3;o dedicam a devida aten&#x00E7;&#x00E3;o a um dos aspectos mais importantes do interc&#x00E2;mbio: a informa&#x00E7;&#x00E3;o, que estava constantemente trocando de m&#x00E3;os. Na verdade, os americanos em todo o hemisf&#x00E9;rio dependiam de seus vizinhos tanto para saber das not&#x00ED;cias quanto para ter acesso &#x00E0;s outras mercadorias que chegavam nos navios. N&#x00E3;o surpreende que as not&#x00ED;cias sobre guerras iminentes tenham percorrido grandes dist&#x00E2;ncias em pouco tempo. Rumores de uma guerra entre Inglaterra e Espanha, por exemplo, se espalharam por uma extensa &#x00E1;rea que se estendia da Virg&#x00ED;nia, nos Estados Unidos, &#x00E0; Venezuela, entre julho de 1790 e fevereiro de 1791. Quando as autoridades brit&#x00E2;nicas restabeleceram o recrutamento for&#x00E7;ado nas ilhas do leste caribenho em antecipa&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; guerra, os marinheiros&#x00B7;de l&#x00ED;ngua inglesa ao norte, at&#x00E9; em Norfolk, tomaram conhecimento e abandonaram os seus navios em busca de seguran&#x00E7;a em terra firme.<xref rid="fn1" ref-type="fn"><sup>1</sup></xref> Aproveitando a maior efici&#x00EA;ncia dos ingleses em manter suas col&#x00F4;nias informadas sobre as not&#x00ED;cias transatl&#x00E2;nticas, os residentes dos territ&#x00F3;rios espanh&#x00F3;is acompanhavam os acontecimentos atrav&#x00E9;s de seus v&#x00ED;nculos comerciais com a Am&#x00E9;rica Brit&#x00E2;nica. Em Cuba, souberam dos rumores alarmantes n&#x00E3;o atrav&#x00E9;s de comunicados oficiais do governo espanhol, mas com a chegada das pequenas embarca&#x00E7;&#x00F5;es que traficavam escravos reexportados da Jamaica de acordo com as regras do livre com&#x00E9;rcio. Os capit&#x00E3;es que chegavam a Santiago de Cuba traziam jornais brit&#x00E2;nicos, cujas reportagens mantiveram vivo o medo da guerra na ilha espanhola at&#x00E9; o final de janeiro de 1791. Ao mesmo tempo, os habitantes da Nova Espanha tentavam se manter informados atrav&#x00E9;s dos jornais londrinos.<xref rid="fn2" ref-type="fn"><sup>2</sup></xref> De Caracas chegaram informa&#x00E7;&#x00F5;es oficiais de que no in&#x00ED;cio de julho de 1790 &#x201C;come&#x00E7;aram a se espalhar e amplificar as vozes sobre uma pr&#x00F3;xima ruptura entre a nossa Corte e a de Londres&#x201D;. Assim como as informa&#x00E7;&#x00F5;es que chegavam &#x00E0; Cuba e &#x00E0; Nova Espanha, os relatos de Caracas foram rastreados e atribu&#x00ED;dos a uma fonte estrangeira: um cartaz ingl&#x00EA;s, impresso em San Crist&#x00F3;bal e levado ao continente em um navio vindo da pequena ilha sueca de S&#x00E3;o Bartolomeu para fazer neg&#x00F3;cios.<xref rid="fn3" ref-type="fn"><sup>3</sup></xref></p>
<p>Atrav&#x00E9;s desses mesmos canais, as expectativas e os medos relativos &#x00E0; emancipa&#x00E7;&#x00E3;o dos escravos e a igualdade de direitos para com pessoas negras e pardas livres passavam de um lugar para outro. Da mesma forma que os residentes de todas as col&#x00F4;nias tinham que se manter informados sobre os preparativos de seus vizinhos para a guerra, eles n&#x00E3;o podiam ignorar outros acontecimentos pol&#x00ED;ticos e sociais, principalmente os que tocavam a quest&#x00E3;o da aboli&#x00E7;&#x00E3;o da escravid&#x00E3;o. Portanto, nos meses tensos que se seguiram aos primeiros relatos do debate brit&#x00E2;nico sobre o com&#x00E9;rcio de escravos, os rumores sobre a emancipa&#x00E7;&#x00E3;o naturalmente assumiram uma dimens&#x00E3;o regional. Mesmo antes de os colonos brancos em S&#x00E3;o Domingos associarem os desdobramentos na Fran&#x00E7;a &#x00E0; escravid&#x00E3;o nas col&#x00F4;nias, alguns deles temiam que a interfer&#x00EA;ncia da Gr&#x00E3;-Bretanha no tr&#x00E1;fico de escravos fosse um mau sinal para a opulenta col&#x00F4;nia francesa. Moreau de Saint-M&#x00E9;ry lembrava claramente &#x201C;a tremenda sensa&#x00E7;&#x00E3;o&#x201D; causada pela chegada ao Cap Fran&#x00E7;ais de v&#x00E1;rias gazetas francesas, em abril e maio de 1788, &#x201C;trazendo detalhes e coment&#x00E1;rios&#x201D; do debate brit&#x00E2;nico sobre o tr&#x00E1;fico de escravos.<xref rid="fn4" ref-type="fn"><sup>4</sup></xref></p>
<p>A partir de 1789, no entanto, as autoridades das col&#x00F4;nias espanholas e brit&#x00E2;nicas detectaram uma amea&#x00E7;a mais grave nos desdobramentos pol&#x00ED;ticos no Caribe franc&#x00EA;s. As not&#x00ED;cias dos acontecimentos na Fran&#x00E7;a e sua grande repercuss&#x00E3;o nas col&#x00F4;nias da na&#x00E7;&#x00E3;o revolucion&#x00E1;ria viajaram para o territ&#x00F3;rio espanhol nos mesmos navios que levavam escravos e os rumores de guerra das col&#x00F4;nias estrangeiras. &#x00C0; medida que a preocupa&#x00E7;&#x00E3;o se intensificava, o interesse pelas not&#x00ED;cias do Caribe franc&#x00EA;s aumentava ainda mais. No final de 1789, quando as proibi&#x00E7;&#x00F5;es espanholas contra a navega&#x00E7;&#x00E3;o francesa romperam a comunica&#x00E7;&#x00E3;o direta com as col&#x00F4;nias nas ilhas, a import&#x00E2;ncia dessas not&#x00ED;cias chegou ao auge. &#x00C0; medida que a guerra civil entre os fazendeiros realistas e os renegados em S&#x00E3;o Domingos se intensificava, os altos funcion&#x00E1;rios do governo colonial em Cuba se viram obrigados a indagar pequenos comerciantes e at&#x00E9; mesmo os &#x201C;viajantes de passagem&#x201D;.<xref rid="fn5" ref-type="fn"><sup>5</sup></xref></p>
<p>Os dist&#x00FA;rbios nas col&#x00F4;nias francesas justificavam os medos espanh&#x00F3;is e refor&#x00E7;avam a determina&#x00E7;&#x00E3;o de limitar o contato com essas ilhas e n&#x00E3;o se envolver com os assuntos da Fran&#x00E7;a. Quando funcion&#x00E1;rios na Martinica solicitaram ajuda militar ao governador de Cuba no final de 1789, porque os residentes da col&#x00F4;nia francesa estavam &#x201C;&#x00E0; beira da revolta, como resultado da confus&#x00E3;o na Fran&#x00E7;a&#x201D;, os funcion&#x00E1;rios espanh&#x00F3;is recusaram tal ajuda e mantiveram a mesma posi&#x00E7;&#x00E3;o no ano seguinte.<xref rid="fn6" ref-type="fn"><sup>6</sup></xref></p>
<p>Em 1790, os funcion&#x00E1;rios de todas as col&#x00F4;nias espanholas j&#x00E1; estavam tomando precau&#x00E7;&#x00F5;es para evitar que os ventos da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa atravessassem suas fronteiras ou chegassem aos seus portos. Antes que os ministros na Espanha voltassem sua aten&#x00E7;&#x00E3;o total para a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa nas col&#x00F4;nias, os governantes locais adotaram medidas que efetivamente reverteram as isen&#x00E7;&#x00F5;es comerciais que eles tinham aceitado de bom grado h&#x00E1; alguns meses. Antes do final.de 1789, navios brit&#x00E2;nicos que faziam com&#x00E9;rcio com o continente retornaram &#x00E0; Jamaica e informaram que os funcion&#x00E1;rios da alf&#x00E2;ndega em Cartagena haviam proibido todos os navios estrangeiros de ancorar naquele porto, j&#x00E1; que &#x201C;os problemas na Fran&#x00E7;a exacerbaram seus temores.e ci&#x00FA;mes&#x201D;.<xref rid="fn7" ref-type="fn"><sup>7</sup></xref> Dois meses depois, um capit&#x00E3;o naval franc&#x00EA;s, chamado Bruny, foi tratado de forma semelhante no porto de Havana. Ele apresentou uma reclama&#x00E7;&#x00E3;o oficial depois de o governador interino ter contrariado a pr&#x00E1;tica vigente ao proibir que a tripula&#x00E7;&#x00E3;o e o pr&#x00F3;prio capit&#x00E3;o desembarcassem. Al&#x00E9;m disso, os franceses foram alvo de chacota e coment&#x00E1;rios &#x201C;injuriosos &#x00E0; Fran&#x00E7;a&#x201D; por parte dos marinheiros espanh&#x00F3;is em navios ancorados perto da ba&#x00ED;a de Havana. Os ep&#x00ED;tetos usados expressavam a hostilidade dos oficiais espanh&#x00F3;is em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa e tamb&#x00E9;m ficou claro que as not&#x00ED;cias dos acontecimentos na Fran&#x00E7;a circulavam em navios espanh&#x00F3;is em Cuba, apesar da pol&#x00ED;tica oficial.<xref rid="fn8" ref-type="fn"><sup>8</sup></xref> A vigil&#x00E2;ncia foi intensificada &#x00E0; medida que as diverg&#x00EA;ncias entre os brancos em Santo Domingo aumentavam. J&#x00E1; no ver&#x00E3;o de l790 na costa de Caracas, como tamb&#x00E9;m em Cuba, Santo Domingo e Porto Rico, at&#x00E9; mesmo os navios de pesca estrangeiros eram vistos de forma suspeita. No ano seguinte, os ministros de col&#x00F4;nias ordenaram que as autoridades revistassem as cargas dos navios em busca de j&#x00F3;ias, caixas de tabaco e moedas com inscri&#x00E7;&#x00F5;es revolucion&#x00E1;rias.<xref rid="fn9" ref-type="fn"><sup>9</sup></xref></p>
<p>Apesar de todas estas precau&#x00E7;&#x00F5;es, os espanh&#x00F3;is que compartilhavam a ilha de Hispaniola com os franceses foram confrontados de forma muito direta com a quest&#x00E3;o da revolta racial quando Vincent Og&#x00E9; e quinze tenentes chegaram &#x00E0; fronteira que separava os territ&#x00F3;rios franc&#x00EA;s e espanhol ap&#x00F3;s a rebeli&#x00E3;o abortada de 1790. Este incidente mostra o quanto os recentes acontecimentos em S&#x00E3;o Domingos havia afetado os posicionamentos das autoridades espanholas. Desde os primeiros dias de agita&#x00E7;&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos, as autoridades espanholas no outro lado da ilha come&#x00E7;aram a manifestar a sua preocupa&#x00E7;&#x00E3;o com a deser&#x00E7;&#x00E3;o constante dos escravos que cruzavam a fronteira em ambas as dire&#x00E7;&#x00F5;es. E levaram a s&#x00E9;rio o aviso dado pelo comandante franc&#x00EA;s do Cap Fran&#x00E7;ais em maio de 1790, que achava que a col&#x00F4;nia espanhola podia muito bem tornar-se o palco para um grupo de radicais de Paris ensaiar uma revolta &#x201C;com o objetivo de perturbar a col&#x00F4;nia e conseguir a igualdade total entre negros, mulatos e brancos&#x201D;.<xref rid="fn10" ref-type="fn"><sup>10</sup></xref> Assim, quando o grupo de rebeldes de Og&#x00E9; chegou em busca de prote&#x00E7;&#x00E3;o seis meses depois, o territ&#x00F3;rio espanhol n&#x00E3;o era mais o santu&#x00E1;rio que havia sido em tempos de menor tens&#x00E3;o pol&#x00ED;tica. O governo espanhol nunca considerou o pedido de asilo de Og&#x00E9;; em vez disso, a patrulha da fronteira espanhola prendeu os rebeldes e os levou para a cidade de Santo Domingo sob escolta fortemente armada. Depois do interrogat&#x00F3;rio, ao conclu&#x00ED;rem que Og&#x00E9; e seus seguidores n&#x00E3;o tinham inten&#x00E7;&#x00F5;es hostis para com os espanh&#x00F3;is, seus captores os entregaram &#x00E0;s autoridades francesas. Ap&#x00F3;s dois meses de julgamento, as autoridades do Cap Fran&#x00E7;ais executaram Og&#x00E9; e mais de vinte outros rebeldes, no in&#x00ED;cio de 1791. Primeiro foram desmembrados na roda e depois decapitados. A derrota de Og&#x00E9; gerou uma onda de repress&#x00E3;o contra os mulatos e negros livres em S&#x00E3;o Domingos.<xref rid="fn11" ref-type="fn"><sup>11</sup></xref></p>
<p>Embora os espanh&#x00F3;is tenham escapado de um ataque direito, o incidente de Og&#x00E9; provocou s&#x00E9;rias reconsidera&#x00E7;&#x00F5;es que se estenderam a outras partes do imp&#x00E9;rio espanhol nas Am&#x00E9;ricas. A maratona de reuni&#x00F5;es da Audi&#x00EA;ncia na cidade espanhola de S&#x00E3;o Domingos considerou a possibilidade de que &#x201C;in&#x00FA;meros mulatos da mesma condi&#x00E7;&#x00E3;o e modo de pensar de Og&#x00E9; e seus companheiros &#x2013; e talvez tamb&#x00E9;m muitos brancos descontentes e com ideias ocultas escondidas&#x201D;, pudessem entrar em territ&#x00F3;rio espanhol como resultado dos conflitos no lado francesa da ilha. As autoridades enviaram imediatamente tropas para patrulhar a fronteira sinuosa e inst&#x00E1;vel. No ano seguinte, tropas da Espanha e Porto Rico foram convocadas para formar um cord&#x00E3;o de isolamento e impedir qualquer comunica&#x00E7;&#x00E3;o entre as regi&#x00F5;es francesa e espanhola da ilha.<xref rid="fn12" ref-type="fn"><sup>12</sup></xref></p>
<p>Os primeiros relatos sobre a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa amea&#x00E7;aram menos os brancos na Jamaica do que seus vizinhos espanh&#x00F3;is. Ao contr&#x00E1;rio da Espanha, a Inglaterra n&#x00E3;o tinha la&#x00E7;os din&#x00E1;sticos com a Coroa francesa e, pelo menos no oeste do Caribe, nenhuma col&#x00F4;nia brit&#x00E2;nica compartilhava o espa&#x00E7;o f&#x00ED;sico com os franceses. Assim, antes da Queda da Bastilha, os jornais nas ilhas brit&#x00E2;nicas publicaram not&#x00ED;cias da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa com surpreendente entusiasmo. No ver&#x00E3;o de 1788, um jornal jamaicano apoiou a luta do Terceiro Estado numa linguagem que pouco tempo depois parecia subversiva: &#x201C;A grande coletiva do povo est&#x00E1; generosamente determinada a resistir, por todos os meios ao seu alcance, &#x00E0;s medidas arrogantes e arbitr&#x00E1;rias da Corte, e a proteger contra a opress&#x00E3;o todos os seus compatriotas, sem distin&#x00E7;&#x00E3;o&#x201D;. A demanda dos leitores por not&#x00ED;cias da Fran&#x00E7;a parece ter crescido, mesmo quando o apoio brit&#x00E2;nico aos revolucion&#x00E1;rios franceses havia diminu&#x00ED;do. Depois de 1789, o avan&#x00E7;o da revolu&#x00E7;&#x00E3;o continuou a dominar as manchetes audaciosas nas primeiras p&#x00E1;ginas dos jornais do Caribe brit&#x00E2;nico ocidental e oriental.<xref rid="fn13" ref-type="fn"><sup>13</sup></xref></p>
<p>&#x00C0; medida que os efeitos da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o sobre as col&#x00F4;nias francesas vizinhas se tornaram evidentes, as autoridades brit&#x00E2;nicas, assim como seus pares em Cuba e Santo Domingo, acompanhavam os acontecimentos com aten&#x00E7;&#x00E3;o. J&#x00E1; em setembro de 1789, os navios de guerra brit&#x00E2;nicos que iam e vinham da esta&#x00E7;&#x00E3;o naval na Jamaica &#x201C;monitoravam&#x201D; o Cap Fran&#x00E7;ais.e durante os meses seguintes apresentaram aos comandantes navais e ao governador da ilha relat&#x00F3;rios detalhados sobre o &#x201C;estado lament&#x00E1;vel&#x201D; em S&#x00E3;o Domingos.<xref rid="fn14" ref-type="fn"><sup>14</sup></xref> Sendo a Jamaica o centro comercial mais movimentado do Caribe ocidental, servia como um importante ponto de conflu&#x00EA;ncia para not&#x00ED;cias de diferentes fontes. Os navios franceses invariavelmente ficavam ancorados nos portos, o que propiciava que os materiais impressos refletindo os profundos conflitos sociais em S&#x00E3;o Domingos circulassem livremente na ilha brit&#x00E2;nica. Comerciantes franceses e outras pessoas &#x201C;de maior import&#x00E2;ncia&#x201D; conversavam sobre os acontecimentos com oficiais brit&#x00E2;nicos entre refei&#x00E7;&#x00F5;es e bebidas, enquanto os marinheiros de seus navios se divertiam nas tabernas de Port Royal e Kingston.<xref rid="fn15" ref-type="fn"><sup>15</sup></xref></p>
<p>Atrav&#x00E9;s desses canais, as ruas perto das docas da Jamaica logo transbordaram com relatos pormenorizados, muitos dos quais particularmente de interesse da popula&#x00E7;&#x00E3;o negra e parda da ilha. Por exemplo, os jamaicanos rapidamente tomaram conhecimento da rebeli&#x00E3;o de Og&#x00E9; e suas consequ&#x00EA;ncias sangrentas. Em janeiro de 1791, os jornais de Kingston noticiaram que a rea&#x00E7;&#x00E3;o contra a igualdade havia crescido de tal forma que em S&#x00E3;o Domingos &#x201C;&#x00E9; dif&#x00ED;cil que um homem de cor apare&#x00E7;a em p&#x00FA;blico com seguran&#x00E7;a&#x201D;. O brutal esmagamento da revolta de Og&#x00E9; em S&#x00E3;o Domingos talvez ajude a explicar o coment&#x00E1;rio de um oficial jamaicano de que &#x201C;tudo est&#x00E1; perfeitamente calmo&#x201D;, apenas duas semanas antes de os escravos de S&#x00E3;o Domingos se insurgirem para completar o que o rebelde mulato tinha come&#x00E7;ado.<xref rid="fn16" ref-type="fn"><sup>16</sup></xref></p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Nem tudo estava t&#x00E3;o calmo no Caribe oriental, onde os eventos de 1789 e 1790 acionaram redes sobrepostas de comunica&#x00E7;&#x00E3;o entre descendentes de africanos nas Am&#x00E9;ricas. Devido em parte &#x00E0; geografia e em parte &#x00E0; hist&#x00F3;ria peculiar da coloniza&#x00E7;&#x00E3;o europeia nesta regi&#x00E3;o, o contato entre s&#x00FA;bitos brit&#x00E2;nicos, franceses e espanh&#x00F3;is ocorreu com mais frequ&#x00EA;ncia e intensidade no Caribe oriental do que em outras sub-regi&#x00F5;es caribenhas. Entre 1789 e 1791, escravos e pessoas livres negros e pardos que se deslocavam de um lugar para outro ajudaram a espalhar os rumores sobre liberdade que estavam circulando em cada imp&#x00E9;rio, alimentando o esp&#x00ED;rito de rebeli&#x00E3;o aberta nas ilhas do leste.</p>
<p>A cadeia de pequenas ilhas conhecidas como Barlovento &#x2013; que se estende de Guadalupe, no norte, at&#x00E9; Granada, no sul &#x2013; testemunhou grande parte da a&#x00E7;&#x00E3;o durante as guerras anglo-francesas do s&#x00E9;culo XVIII. O contato comercial e social continuou em tempo de paz. Duas antigas ilhas francesas, Dominica e Granada, haviam sido submetidas ao controle brit&#x00E2;nico pouco tempo antes, e cada uma delas preservou muitos de seus habitantes e costumes franceses. Logo ao sul de Granada estava a ilha de Trinidad, controlada pela Espanha que ligava o arquip&#x00E9;lago oriental ao continente, mas que mantinha la&#x00E7;os estreitos com os brit&#x00E2;nicos e tamb&#x00E9;m com as ilhas francesas.</p>
<p>Ironicamente, as incessantes manobras em busca da supremacia imperial que caracterizavam esta regi&#x00E3;o acabaram aproximando ainda mais os la&#x00E7;os entre os brit&#x00E2;nicos, franceses e espanh&#x00F3;is. Buscando atrair o com&#x00E9;rcio exterior, especialmente, o franc&#x00EA;s, os brit&#x00E2;nicos concederam &#x00E0; rec&#x00E9;m adquirida Dominica dois portos livres conforme a lei de 1766.<xref rid="fn17" ref-type="fn"><sup>17</sup></xref> Da mesma forma, o esquema espanhol de coloniza&#x00E7;&#x00E3;o e desenvolvimento de Trinidad se concentrou em atrair estrangeiros. A Real C&#x00E9;dula de 1783 convidou abertamente colonos franceses descontentes, prometeu benef&#x00ED;cios especiais para aqueles que trouxessem escravos e at&#x00E9; ofereceu terras para negros e pardos livres que imigrassem para a ilha espanhola. Em 1784, de acordo com uma fonte do s&#x00E9;culo XIX, &#x201C;Trinidad era uma col&#x00F4;nia francesa, exceto pelo nome&#x201D;.<xref rid="fn18" ref-type="fn"><sup>18</sup></xref> A pol&#x00ED;tica de portas abertas de Trinidad atraiu todos os tipos, &#x201C;o canalha e o&#x00B7;devedor fraudulento&#x201D;, negros livres de l&#x00ED;ngua francesa e inglesa, e escravos fugitivos. Quando estes diversos desertores retornaram aos seus antigos lugares de resid&#x00EA;ncia como marinheiros, comerciantes ou visitantes, as autoridades os acusaram de incitar os escravos a seguir seu mau exemplo. Nos anos 1790, as autoridades nas ilhas vizinhas brit&#x00E2;nicas e francesas vigiavam de perto os marinheiros de Trinidad e Tobago, algumas vezes chegando ao ponto de restringir seu desembarque. Enquanto os brit&#x00E2;nicos na Dominica &#x201C;aturavam&#x201D; a presen&#x00E7;a de um pequeno grupo de &#x201C;renegados&#x201D; espanh&#x00F3;is, obrigando-os apenas a pagar taxas e fazer juramentos peri&#x00F3;dicos de fidelidade ao rei da Inglaterra, Granada exigia que os residentes de Trinidad pagassem uma fian&#x00E7;a de valor proibitivo - 1.000 libras esterlinas - caso contr&#x00E1;rio seriam presos por vadiagem, &#x201C;sem qualquer outra prova que n&#x00E3;o fosse a de resid&#x00EA;ncia habitual ou frequente em Trinidad &#x201C;.<xref rid="fn19" ref-type="fn"><sup>19</sup></xref></p>
<p>No Caribe oriental, onde territ&#x00F3;rios franceses, ingleses e espanh&#x00F3;is coexistiam numa desconfort&#x00E1;vel proximidade, os escravos atentos rapidamente tomaram conhecimento dos rumores sobre os acontecimentos emocionantes em todos os tr&#x00EA;s imp&#x00E9;rios durante a era da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa. No final de 1789, por exemplo, Trinidad se tornou fonte de algumas not&#x00ED;cias muito relevantes para as comunidades de escravos em todo o arquip&#x00E9;lago oriental. Ao mesmo tempo que os ministros espanh&#x00F3;is debatiam as reformas abrangentes que logo iriam provocar a disputa em Caracas e em outros lugares, a Real C&#x00E9;dula de 14 de abril de 1789 determinou que as col&#x00F4;nias espanholas acolhessem os escravos franceses e brit&#x00E2;nicos fugitivos que mostrassem uma reivindica&#x00E7;&#x00E3;o &#x201C;leg&#x00ED;tima&#x201D; de liberdade e os protegessem de seus antigos propriet&#x00E1;rios. Em agosto, Jos&#x00E9; Maria Chacon, governador de Trinidad, promulgou o decreto. A rea&#x00E7;&#x00E3;o em todo Caribe oriental foi imediata. Acusando Trinidad de ser &#x201C;o Asilo costumeiro de fugitivos de toda esp&#x00E9;cie&#x201D;, os fazendeiros ausentes e comerciantes brit&#x00E2;nicos reunidos em Londres tornaram p&#x00FA;blicas as cartas de correspondentes caribenhos apreensivos. No in&#x00ED;cio de 1790, eles relataram que
<disp-quote>
<p>[&#x2026;] o governo franc&#x00EA;s tem respondido ao alarme de suas pr&#x00F3;prias col&#x00F4;nias e [&#x2026;] em Granada, os habitantes acharam necess&#x00E1;rio manter Guardas Noturnos regulares no litoral e apoiar o custo de dois navios de artilharia navegando constantemente ao redor da Costa, como o &#x00FA;nico meio eficaz de impedir uma emigra&#x00E7;&#x00E3;o desastrosa de seus escravos.<xref rid="fn20" ref-type="fn"><sup>20</sup></xref></p>
</disp-quote></p><p>
Mesmo com estas medidas, escravos de Granada e outras ilhas pr&#x00F3;ximas a Trinidad conseguiram escapar e acharam seu caminho para a ilha espanhola. Not&#x00ED;cias sobre os fugitivos que se dirigiam para o territ&#x00F3;rio espanhol somente apareceram nos jornais no outono de 1790. Um mulato franc&#x00EA;s que os ingleses chamavam de &#x201C;La&#x2019;Pierre&#x201D; desapareceu de&#x00B7;Granada em meados de setembro e havia rumores de que estava &#x201C;tentando levar consigo um grupo de negros em uma grande canoa&#x201D;. Em meados de agosto, dois escravos da pequena ilha de Carriacou, perto de Granada, escaparam em uma canoa rumo ao territ&#x00F3;rio espanhol, mas, &#x201C;como a canoa era pequena para chegar at&#x00E9; onde pudessem desembarcar&#x201D;, provavelmente acabaram em Granada. Ainda menos afortunado foi Antoine, que foi detido quando estava escondido a bordo de um saveiro franc&#x00EA;s, &#x201C;com o intento de fugir para Trinidad&#x201D;.<xref rid="fn21" ref-type="fn"><sup>21</sup></xref></p>
<p>Um exame criterioso das descri&#x00E7;&#x00F5;es dos fugitivos que se encaminharam para Trinidad revela outras facetas importantes sobre a cultura afro-americana do Caribe oriental durante a d&#x00E9;cada de 1790. Certamente alguns dos escravos e pessoas de cor livres da regi&#x00E3;o, tanto em &#x00E1;reas brit&#x00E2;nicas como francesas, tinham uma capacidade extraordin&#x00E1;ria de comunica&#x00E7;&#x00E3;o. Um grupo de negros que fugiu de Granada em uma &#x201C;pequena escuna&#x201D; em outubro de 1790 inclu&#x00ED;a Hector, um pedreiro africano.que falava ingl&#x00EA;s e franc&#x00EA;s &#x201C;fluentemente&#x201D;, e John, um nativo de Granada que tamb&#x00E9;m dominava ambos os idiomas, embora preferisse o franc&#x00EA;s. Outros alertas sobre escravos fugitivos na segunda metade de 1790 oferecem dezenas de outros exemplos. Entre os fugitivos negros bil&#x00ED;ng&#x00FC;es nesta regi&#x00E3;o no outono de 1790 estavam a dominicana Cellestine, cujo propriet&#x00E1;rio alertou os capit&#x00E3;es de navio em Granada sobre sua prov&#x00E1;vel inten&#x00E7;&#x00E3;o de embarcar em um navio que saia do porto; Kitty, uma vendedora de mercadorias nos arredores de S&#x00E3;o Jorge; e um &#x201C;marinheiro negro&#x201D; chamado King John (Rei Jo&#x00E3;o).<xref rid="fn22" ref-type="fn"><sup>22</sup></xref> Capazes de se comunicar em franc&#x00EA;s e ingl&#x00EA;s, mas respondendo a um convite do territ&#x00F3;rio espanhol, esses fugitivos de 1790 tiveram.acesso &#x00E0;s pol&#x00ED;ticas de escravid&#x00E3;o.em tr&#x00EA;s imp&#x00E9;rios coloniais e podiam, portanto, desempenhar um papel fundamental na coleta e transmiss&#x00E3;o nas decis&#x00F5;es de cada um.</p>
<p>Mas o mundo ao redor estava mudando rapidamente, como logo se deram conta os escravos que viviam esta mobilidade. Assim como em Santo Domingo, os eventos pol&#x00ED;ticos na regi&#x00E3;o leste, especialmente as not&#x00ED;cias sobre a agita&#x00E7;&#x00E3;o crescente entre os escravos e os negros livres nas col&#x00F4;nias francesas, levaram os legisladores espanh&#x00F3;is a erguer barreiras a fim de dificultar a mobilidade dos negros e pardos e interromper qualquer comunica&#x00E7;&#x00E3;o entre os negros nas col&#x00F4;nias espanholas e estrangeiras. N&#x00E3;o demorou muito, portanto, para que a Coroa decidisse reverter sua pol&#x00ED;tica de conceder o direito de ref&#x00FA;gio aos negros fugitivos da escravid&#x00E3;o em territ&#x00F3;rios estrangeiros. Em vigor apenas por um breve per&#x00ED;odo, o decreto espanhol que atraiu tantos escravos fugitivos para Trinidad em 1790 foi revogado t&#x00E3;o repentinamente quanto havia sido implementado.</p>
<p>De fato, quando o Governador Chacon emitiu a c&#x00E9;dula, as pr&#x00E1;ticas em Trinidad j&#x00E1; n&#x00E3;o estavam mais em sintonia com as de outras &#x00E1;reas da &#x00F3;rbita espanhola. Enquanto os escravos das ilhas brit&#x00E2;nicas e francesas enfrentavam dificuldades para chegar a Trinidad, o governador de Caracas, Juan Guillelmi, relatou com apreens&#x00E3;o a chegada de v&#x00E1;rios negros de l&#x00ED;ngua francesa ao continente. De acordo com Guillelmi, a chegada de cargas de escravos inclu&#x00ED;am pessoas que &#x201C;haviam passado muito tempo nas col&#x00F4;nias francesas&#x201D;. Ainda mais, os fugitivos franc&#x00F3;fonos chegavam regularmente a Caracas via Trinidad e Guillelmi temia que &#x201C;muitos mais pudessem vir [ &#x2026;] infectados pelas ideias perigosas que viram triunfar&#x201D; nos territ&#x00F3;rios franceses rebeldes.<xref rid="fn23" ref-type="fn"><sup>23</sup></xref></p>
<p>Al&#x00E9;m disso, a a&#x00E7;&#x00E3;o de Chacon ainda contrariava as novas pol&#x00ED;ticas que a Coroa havia implementado meses antes. Os primeiros relatos das col&#x00F4;nias francesas levaram a Coroa a emitir a ordem de 17 de maio de 1790 que determinou que os escravos fugitivos das col&#x00F4;nias estrangeiras n&#x00E3;o seriam mais bem vindos nos dom&#x00ED;nios espanh&#x00F3;is. Quatro dias depois, uma segunda ordem mais espec&#x00ED;fica instruiu que as autoridades espanholas n&#x00E3;o mais permitissem a entrada de &#x201C;negros comprados ou escapados das col&#x00F4;nias francesas&#x201D;, nem &#x201C;qualquer outra pessoa de casta&#x201D; que pudesse importar &#x201C;ideias sediciosas&#x201D; para as col&#x00F4;nias.<xref rid="fn24" ref-type="fn"><sup>24</sup></xref> Quando finalmente souberam das novas estipula&#x00E7;&#x00F5;es no in&#x00ED;cio do outono e as colocaram em vigor, as autoridades coloniais como Guillelmi ficaram aliviados e confiantes de que as not&#x00ED;cias da mudan&#x00E7;a na pol&#x00ED;tica &#x201C;sem d&#x00FA;vida se espalhar&#x00E3;o muito rapidamente nas col&#x00F4;nias estrangeiras e acabar&#x00E1; a transmigra&#x00E7;&#x00E3;o&#x201D; de escravos. Guillelmi foi ainda mais longe ao cogitar a expuls&#x00E3;o de todos os escravos &#x201C;estrangeiros&#x201D;, embora nada indique que qualquer a&#x00E7;&#x00E3;o tenha sido tomada com base no seu decreto.<xref rid="fn25" ref-type="fn"><sup>25</sup></xref> Nas col&#x00F4;nias brit&#x00E2;nicas, as autoridades publicaram a carta de retra&#x00E7;&#x00E3;o de Chacon em destaque nos jornais das ilhas com expectativas semelhantes de que a mensagem circulasse entre os escravos e impedisse a onda de fugitivos para o territ&#x00F3;rio espanhol.<xref rid="fn26" ref-type="fn"><sup>26</sup></xref></p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Outros assuntos al&#x00E9;m do &#x00E9;dito de Trinidad e sua revoga&#x00E7;&#x00E3;o geraram not&#x00ED;cias entre todas as classes sociais de todo o arquip&#x00E9;lago oriental em 1790. Com tantos territ&#x00F3;rios franceses muito pr&#x00F3;ximos &#x00E0;s ilhas inglesas e espanholas, em toda a sub-regi&#x00E3;o houve um grande interesse popular.na Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa. Em pouco tempo, a demanda crescente dos leitores por informa&#x00E7;&#x00F5;es sobre os &#x00FA;ltimos acontecimentos, tanto na Fran&#x00E7;a quanto nas col&#x00F4;nias, se transformou numa esp&#x00E9;cie de pequena ind&#x00FA;stria. No debate que se seguiu, envolvendo col&#x00F4;nias brit&#x00E2;nicas e espanholas, bem como francesas, escravos e negros e pardos livres encontraram maneiras de se afirmarem.</p>
<p>Com sua fluidez pol&#x00ED;tica e extensa comunica&#x00E7;&#x00E3;o intercolonial, o Caribe oriental oferece evid&#x00EA;ncias de que as not&#x00ED;cias dos jornais eram compartilhadas na regi&#x00E3;o. Os residentes n&#x00E3;o ingleses, por exemplo, &#x00E0;s vezes se irritavam por depender da imprensa brit&#x00E2;nica para informa&#x00E7;&#x00F5;es estrangeiras.&#x00B7;Um colono franc&#x00EA;s comentou (em um jornal publicado na Granada brit&#x00E2;nica), que &#x201C;os jornais ingleses chegam em t&#x00E3;o grande n&#x00FA;mero&#x201D; que a conversa de rua inevitavelmente tomam um vi&#x00E9;s brit&#x00E2;nico. No &#x00E2;mbito local, os editores e jornais nas ilhas brit&#x00E2;nicas conheciam seu p&#x00FA;blico diverso e publicaram as suas mat&#x00E9;rias em ingl&#x00EA;s e franc&#x00EA;s, o que contribuiu ainda mais para o desenvolvimento do biling&#x00FC;ismo em todos os n&#x00ED;veis.<xref rid="fn27" ref-type="fn"><sup>27</sup></xref></p>
<p>Entretanto, a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa inspirou os editores nas col&#x00F4;nias a adquirir gr&#x00E1;ficas que logo deram origem a um novo tipo de jornal pol&#x00ED;tico. Esses jornais, publicados exclusivamente em franc&#x00EA;s, se especializaram na cobertura da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa e seus efeitos nas col&#x00F4;nias francesas na Am&#x00E9;rica, reproduzindo as reuni&#x00F5;es da Assembl&#x00E9;ia de Paris, bem como as novas assembl&#x00E9;ias coloniais. Tinham ampla distribui&#x00E7;&#x00E3;o e eram fonte fundamental de informa&#x00E7;&#x00E3;o para os residentes e autoridades nas ilhas brit&#x00E2;nicas.<xref rid="fn28" ref-type="fn"><sup>28</sup></xref> O entusiasmo despertado pela Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa estimulou at&#x00E9; mesmo os residentes franceses das col&#x00F4;nias brit&#x00E2;nicas a publicarem jornais que concorriam com as publica&#x00E7;&#x00F5;es dos jornais tradicionais. Essas novas gazetas tamb&#x00E9;m competiam entre si em termos pol&#x00ED;ticos, algumas se referindo &#x00E0; linha &#x201C;aristocr&#x00E1;tica&#x201D;, e outras apoiando abertamente o Terceiro Estado.<xref rid="fn29" ref-type="fn"><sup>29</sup></xref></p>
<p>No vai-e-vem dessas publica&#x00E7;&#x00F5;es entre as ilhas francesas e inglesas, exemplares desses jornais, assim como folhetos franceses tamb&#x00E9;m vazaram para as col&#x00F4;nias espanholas. Em Caracas e suas prov&#x00ED;ncias, as autoridades relataram algum sucesso em conter o fluxo de materiais impressos &#x201C;estrangeiros&#x201D;, grande parte deles fazendo refer&#x00EA;ncias &#x00E0; Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa, entre dezembro de 1789 e mar&#x00E7;o do ano seguinte. Durante este mesmo per&#x00ED;odo, no entanto, os residentes franceses de Trinidad desafiaram abertamente as antigas restri&#x00E7;&#x00F5;es espanholas &#x00E0; imprensa. O surgimento em territ&#x00F3;rio espanhol de uma voz independente e solid&#x00E1;ria com os franceses resultou em uma a&#x00E7;&#x00E3;o oficial r&#x00E1;pida e decisiva. No in&#x00ED;cio de 1790, o governador de Trinidad tomou medidas para interromper a atividade de Jean Viloux, um imigrante franc&#x00EA;s que publicava um jornal semanal que inclu&#x00ED;a uma extensa cobertura de eventos na Fran&#x00E7;a e que tamb&#x00E9;m reproduzia debates e resolu&#x00E7;&#x00F5;es da Assembl&#x00E9;ia Nacional. O governador Chacon proibiu a venda do jornal de Viloux, fechou sua gr&#x00E1;fica e recolheu todas as c&#x00F3;pias existentes. Mas como um epis&#x00F3;dio de repress&#x00E3;o expl&#x00ED;cita poderia suscitar mais debates era &#x201C;melhor manter o sil&#x00EA;ncio&#x201D;, Chacon inventou um pretexto falso &#x2013; e sem d&#x00FA;vida transparente &#x2013; para banir Viloux do territ&#x00F3;rio espanhol.<xref rid="fn30" ref-type="fn"><sup>30</sup></xref></p>
<p>Tanto a palavra impressa quanto a falada desencadearam rumores sobre a escravid&#x00E3;o que exerceram uma forte influ&#x00EA;ncia na pol&#x00ED;tica no Caribe oriental entre 1789 e 1791. No final do ver&#x00E3;o de 1789, c&#x00F3;pias de jornais brit&#x00E2;nicos relatando a agita&#x00E7;&#x00E3;o no parlamento em rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; quest&#x00E3;o do tr&#x00E1;fico de escravos se disseminaram na Martinica e geraram suspeitas de que os ingleses podiam estar espalhando boatos, visando incitar os escravos. Se esta acusa&#x00E7;&#x00E3;o procede ou n&#x00E3;o, o fato &#x00E9; que as not&#x00ED;cias provenientes de alguma fonte sobre os acontecimentos no Parlamento certamente chegavam &#x00E0; rede de comunica&#x00E7;&#x00E3;o entre os escravos em Martinica antes do que as not&#x00ED;cias mais amplas sobre a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa. No in&#x00ED;cio de setembro quando os escravos nas col&#x00F4;nias inglesas vizinhas contemplavam a possibilidade de que um ato parlamentar proibisse a escravid&#x00E3;o, surgiram ind&#x00ED;cios de descontentamento entre os escravos franceses na Martinica. Os trabalhadores negros come&#x00E7;aram a abandonar as plantations na ilha francesa e, de acordo com um relat&#x00F3;rio, &#x201C;a raz&#x00E3;o que eles apresentam &#x00E9; que, como todos os negros ingleses ser&#x00E3;o libertados, eles t&#x00EA;m o mesmo direito&#x201D;.<xref rid="fn31" ref-type="fn"><sup>31</sup></xref></p>
<p>Logo os ventos iriam soprar em outra dire&#x00E7;&#x00E3;o. Uma revolta abortada de escravos e negros livres em Dominica em janeiro de 1791 mostra que os escravos nas &#x00E1;reas brit&#x00E2;nicas prestavam muita aten&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0;s not&#x00ED;cias das col&#x00F4;nias francesas. Embora alguns historiadores tenham argumentado que o incidente da Dominica &#x201C;devia muito pouco&#x201D; &#x00E0; influ&#x00EA;ncia de eventos ou ideias nas col&#x00F4;nias francesas vizinhas, existem evid&#x00EA;ncias consider&#x00E1;veis que sugerem uma situa&#x00E7;&#x00E3;o fluida na qual rumores iniciados em territ&#x00F3;rios franceses e brit&#x00E2;nicos &#x2013; e possivelmente at&#x00E9; mesmo em territ&#x00F3;rios espanh&#x00F3;is &#x2013; se entrela&#x00E7;avam e se refor&#x00E7;avam mutuamente.<xref rid="fn32" ref-type="fn"><sup>32</sup></xref> De fato, dadas as muitas e variadas conex&#x00F5;es da Dominica com seus vizinhos n&#x00E3;o brit&#x00E2;nicos, seria surpreendente se tal interc&#x00E2;mbio n&#x00E3;o tivesse ocorrido. Localizada a meio caminho entre Martinica e Guadalupe, a Dominica ficava a apenas 40 quil&#x00F4;metros de dist&#x00E2;ncia de cada uma das ilhas francesas. Devido aos numerosos grupos de habitantes que gozavam de mobilidade nesta antiga col&#x00F4;nia francesa em 1791, a ilha preenchia os requisitos para uma r&#x00E1;pida e eficaz transfer&#x00EA;ncia de not&#x00ED;cias e informa&#x00E7;&#x00F5;es.</p>
<p>A Dominica parece ter sido uma ilha particularmente dif&#x00ED;cil de governar. No final da d&#x00E9;cada de 1780, as autoridades frequentemente registravam sua frustra&#x00E7;&#x00E3;o por n&#x00E3;o conseguir controlar o tr&#x00E2;nsito dos seus s&#x00FA;ditos, tanto dentro como fora da ilha. Em primeiro lugar, a geografia da ilha era prop&#x00ED;cia para os desertores das plantations de a&#x00E7;&#x00FA;car. A floresta densa e o terreno acidentado da Dominica abrigavam escravos fugitivos desde os primeiros dias da forma&#x00E7;&#x00E3;o das fazendas, e os fugitivos de ilhas vizinhas como Guadalupe ao norte e Martinica ao sul muitas vezes conseguiam se estabelecer no interior da ilha. No in&#x00ED;cio de 1788, o Conselho Privado da Dominica lamentou que, apesar dos recentes esfor&#x00E7;os para eliminar esses grupos de escravos, muitos permaneceram em liberdade e continuaram a manter uma &#x201D;correspond&#x00EA;ncia consider&#x00E1;vel com as fazendas&#x201D;.<xref rid="fn33" ref-type="fn"><sup>33</sup></xref></p>
<p>A estrutura de com&#x00E9;rcio da Dominica, que colocava seus residentes em contato constante com col&#x00F4;nias e pessoas estrangeiras, proporcionou outra via de mobilidade e comunica&#x00E7;&#x00E3;o. Como um dos portos livres da Gr&#x00E3;-Bretanha, a Dominica desempenhou o mesmo papel no esquema imperial no Caribe oriental que a Jamaica exerceu no ocidente. A partir de 1763, o com&#x00E9;rcio exterior tornou-se a base do com&#x00E9;rcio da Dominica. A partir de 1788, as embarca&#x00E7;&#x00F5;es francesas, espanholas e outras n&#x00E3;o brit&#x00E2;nicas constitu&#x00ED;am 63% dos navios registrados na alf&#x00E2;ndega no porto local de Roseau.<xref rid="fn34" ref-type="fn"><sup>34</sup></xref> Da mesma forma, os marinheiros dominicanos viajavam frequentemente a bordo de navios mercantes para portos franceses, onde testemunharam em primeira m&#x00E3;o a evolu&#x00E7;&#x00E3;o da pol&#x00ED;tica francesa desde o antigo regime at&#x00E9; a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o. Como atestam os depoimentos detalhados que chegaram &#x00E0;s m&#x00E3;os do Governador Orde em 1788, a pris&#x00E3;o, o trabalho for&#x00E7;ado e a perda de sal&#x00E1;rios foram experi&#x00EA;ncias comuns para os marinheiros brit&#x00E2;nicos nas ilhas francesas. Mas depois de 1789, outros epis&#x00F3;dios, igualmente intensos, prenunciavam as mudan&#x00E7;as fundamentais que j&#x00E1; estavam no horizonte. Em dezembro de 1790, um navio franc&#x00EA;s armado &#x201C;navegado por brancos e negros, livres e escravos&#x201D; deteve um navio mercante brit&#x00E2;nico que operava na Martinica. Para o &#x00FA;nico marinheiro negro a bordo do navio ingl&#x00EA;s, &#x201C;um criado do propriet&#x00E1;rio do navio&#x201D;, as tr&#x00EA;s noites de cativeiro tempor&#x00E1;rio foram como se o mundo tivesse virado de cabe&#x00E7;a para baixo. Somente ele podia circular livremente, enquanto o capit&#x00E3;o e a tripula&#x00E7;&#x00E3;o eram mantidos acorrentados.<xref rid="fn35" ref-type="fn"><sup>35</sup></xref></p>
<p>Ao lado do sistema de com&#x00E9;rcio exterior legal da Dominica florescia uma forte contracultura do mercado negro. Assim como o terreno acidentado do interior da ilha ajudou os escravos fugitivos, milhas de costa desguarnecidas ajudaram os comerciantes ilegais a n&#x00E3;o serem detectados. O governador John Orde reclamava constantemente da &#x201C;disposi&#x00E7;&#x00E3;o de muitos aqui para participar do com&#x00E9;rcio ilegal&#x201D; com os franceses e espanh&#x00F3;is e lamentou a enorme quantidade de.a&#x00E7;&#x00FA;car franc&#x00EA;s que os contrabandistas trouxeram para a ilha. Esse com&#x00E9;rcio ilegal havia se tornado parte da ordem local das coisas em Dominica, assim como tinha sido na Nova Inglaterra, v&#x00E1;rias d&#x00E9;cadas antes. De modo que em abril de 1790, quando algu&#x00E9;m informou aos funcion&#x00E1;rios da alf&#x00E2;ndega sobre a chegada de mercadorias proibidas, uma &#x201C;turba&#x201D; se juntou nas ruas de Roseau e acusou um tal John Blair, a quem cobriu de piche e penas e espancou at&#x00E9; ficar quase sem vida.<xref rid="fn36" ref-type="fn"><sup>36</sup></xref></p>
<p>&#x00C9; significativo que os navios e barcos que trafegavam entre as ilhas, tanto legal como ilegalmente, transportavam muitos negros e pardos livres das ilhas francesas. Seus n&#x00FA;meros inclu&#x00ED;am marinheiros e viajantes, bem como residentes mais permanentes. Em uma hist&#x00F3;ria da Dominica publicada em 1791, Thomas Atwood estimou que mais da metade das 500 pessoas livres de cor daquela ilha &#x2013; um grupo &#x201C;muito ocioso e insolente&#x201D; &#x2013; migrou das ilhas francesas.<xref rid="fn37" ref-type="fn"><sup>37</sup></xref> &#x00C0; medida que as revoltas nas ilhas francesas ganharam for&#x00E7;a depois de 1789, os residentes brancos das ilhas brit&#x00E2;nicas, como Atwood, lan&#x00E7;aram um olhar atento sobre essas pessoas negras e pardas livres e m&#x00F3;veis. Ap&#x00F3;s o primeiro anivers&#x00E1;rio da Queda da Bastilha, a Granada chamou a aten&#x00E7;&#x00E3;o semanalmente para o &#x201C;grande n&#x00FA;mero de pessoas de cor que recentemente chegaram das col&#x00F4;nias francesas&#x201D; e expressou sua preocupa&#x00E7;&#x00E3;o constante de que os residentes locais pudessem ser &#x201C;enganados&#x201D; pelas ideias daqueles &#x201C;vagabundos que ultimamente t&#x00EA;m aparecido aqui de forma t&#x00E3;o question&#x00E1;vel&#x201D;. No final do ano, o mesmo jornal lamentou o surgimento dos &#x201C;bailes de mulatos, cen&#x00E1;rio de divers&#x00E3;o para os ociosos e dissolutos que pareciam ter lugar todas as noites em quase todas as ruas&#x201D;.<xref rid="fn38" ref-type="fn"><sup>38</sup></xref></p>
<p>Em janeiro de l79l, os cidad&#x00E3;os brancos da Dominica presumiam que as pessoas negras e pardas de Martinica e Guadalupe introduziram as ideias sediciosas que haviam afetado as ilhas francesas. Na Martinica, a luta civil havia mudado momentaneamente em favor dos negros e mulatos, e chegou ao conhecimento do Governador Orde a informa&#x00E7;&#x00E3;o de que os escravos daquela ilha haviam pela primeira vez come&#x00E7;ado a falar em p&#x00FA;blico que a idea de uma &#x201C;emancipa&#x00E7;&#x00E3;o geral&#x201D; era &#x201C;seu fim e seu objectivo&#x201D;.<xref rid="fn39" ref-type="fn"><sup>39</sup></xref> Quatro dias depois, um fazendeiro franc&#x00EA;s na Dominica advertiu ao Governador Orde que com a &#x201C;chegada cont&#x00ED;nua de pessoas livres de cor, bem como de escravos da Martinica&#x201D;, semelhantes &#x201C;no&#x00E7;&#x00F5;es ilus&#x00F3;rias&#x201D; e &#x201C;id&#x00E9;ias falsas&#x201D; j&#x00E1; haviam sido introduzidas na mente dos escravos dele e de outros senhores. Ao chegar de afazeres na capital, os escravos haviam voltado &#x00E0;s fazendas de seu distrito com a not&#x00ED;cia de que o Governador Orde havia publicado uma ordem concedendo-lhes tr&#x00EA;s dias por semana para trabalharem por conta pr&#x00F3;pria sem supervis&#x00E3;o e estipulando que seriam pagos por qualquer trabalho realizado para os fazendeiros. Em tempos comuns, os escravos poderiam ter ignorado esse rumor ou descartado como um absurdo. Mas com a intensidade crescente das revolu&#x00E7;&#x00F5;es e a aboli&#x00E7;&#x00E3;o do tr&#x00E1;fico de escravos e da escravid&#x00E3;o pairando no ar, tanto nas col&#x00F4;nias brit&#x00E2;nicas quanto nas espanholas, essa fa&#x00ED;sca fabricada poderia cair sobre lenha pronta para pegar fogo. Em quest&#x00E3;o de horas, os escravos abandonaram algumas propriedades e simplesmente se recusaram a trabalhar em outras.<xref rid="fn40" ref-type="fn"><sup>40</sup></xref></p>
<p>Durante um impasse de v&#x00E1;rios dias, funcion&#x00E1;rios e fazendeiros brit&#x00E2;nicos tentaram dispersar os rumores e negociaram com os escravos para que voltassem ao trabalho. De repente, em outra parte da ilha &#x2013; &#x201C;popularmente conhecido como o Bairro Franc&#x00EA;s&#x201D; &#x2013; come&#x00E7;ou uma revolta violenta. Um grupo de escravos &#x201C;liderados por alguns mulatos livres&#x201D; armados, matou um homem branco e realizou &#x201C;outros atos de viol&#x00EA;ncia e hostilidade&#x201D;.<xref rid="fn41" ref-type="fn"><sup>41</sup></xref> Sem embargo, um destacamento militar rapidamente controlou a revolta e os que n&#x00E3;o foram capturados imediatamente acabaram sendo presos nos seus esconderijos na floresta.</p>
<p>Os detalhes da revolta dominicana de 1791 oferecem um olhar revelador sobre as redes de comunica&#x00E7;&#x00E3;o afro-americana. Depois de sufocar a revolta, as autoridades dominicanas atribu&#x00ED;ram a maior parte da culpa &#x00E0; &#x201C;constante e inapropriada movimenta&#x00E7;&#x00E3;o de embarca&#x00E7;&#x00F5;es estrangeiras&#x201D; com trechos da costa sem vigil&#x00E2;ncia, nos quais &#x201C;frequentemente embarcavam e desembarcavam pessoas com prop&#x00F3;sitos suspeitos&#x201D;. N&#x00E3;o foram somente os &#x201C;primeiros sinais de dist&#x00FA;rbios&#x201D; surgindo em lugares pr&#x00F3;ximos de onde frequentavam os intrusos e os comerciantes ilegais, mas tamb&#x00E9;m que um dos l&#x00ED;deres rebeldes, com trinta de seus seguidores, tentou escapar pela mesma via. A fim de interditar esses canais, Orde pediu que navios de guerra armados navegassem pelo literal barlavento da ilha para &#x201C;impedir toda a comunica&#x00E7;&#x00E3;o entre a ilha e as ilhas estrangeiras&#x201D;.<xref rid="fn42" ref-type="fn"><sup>42</sup></xref> Outras medidas visavam controlar as redes de comunica&#x00E7;&#x00E3;o internas da pr&#x00F3;pria ilha. Novas leis determinavam que os donos de tabernas retirassem os negros de seus estabelecimentos na hora marcada; indicavam que &#x201C;Dan&#x00E7;as e Assembl&#x00E9;ias&#x201D; seriam monitoradas mais rigorosamente; e restabeleceram o antigo sistema de carteiras para os estivadores e outros escravos cujos trabalhos os obrigasse a sair das fazendas.<xref rid="fn43" ref-type="fn"><sup>43</sup></xref></p>
<p>Finalmente, Orde, fazendo eco ao governador Chacon na vizinha Trinidad, sugeriu &#x201C;frear atrav&#x00E9;s de leis saud&#x00E1;veis e moderadas a licenciosidade dos editores&#x201D;.<xref rid="fn44" ref-type="fn"><sup>44</sup></xref> O governador n&#x00E3;o tinha em mente a imprensa que estava a favor dos fazendeiros e comerciantes, apesar das cr&#x00ED;ticas que fazia ao governo colonial e a Orde pessoalmente, mas sim um dos jornais rec&#x00E9;m-criados da regi&#x00E3;o, um jornal popular publicado em franc&#x00EA;s sob o t&#x00ED;tulo intrigante <italic>L&#x2019;Ami de la Libert&#x00E9;, l&#x2019;Ennemi de la License</italic> (O amigo da liberdade, o inimigo da licen&#x00E7;a). Pela primeira vez, tanto o governador quanto seus cr&#x00ED;ticos na imprensa pr&#x00F3;-escravid&#x00E3;o da ilha concordaram sobre a natureza subversiva da infame &#x201C;gazeta francesa&#x201D; publicada em Guadalupe. Como outras gazetas do g&#x00EA;nero, <italic>L&#x2019;Ami &#x2026;</italic> publicava c&#x00F3;pias de discursos e debates, mas mantinha uma forte pol&#x00ED;tica editorial, com mat&#x00E9;rias assinadas pelo pseud&#x00F4;nimo &#x201C;XYZ&#x201D;, que atraiu a aten&#x00E7;&#x00E3;o dos dominicanos de ambos os lados, contra e a favor da quest&#x00E3;o da escravid&#x00E3;o. Um jornal concorrente, de l&#x00ED;ngua inglesa, atacou o editor do <italic>L&#x2019;Ami,</italic> chamando-o de &#x201C;um sujeito mulato sem nenhum car&#x00E1;ter ou princ&#x00ED;pio&#x201D;, mas admitiu que o jornal havia conquistado muitos e &#x00E1;vidos seguidores na Dominica. &#x201C;N&#x00E3;o era somente lido com avidez por pessoas de cor livres&#x201D;, escreveu Thomas Anketell, editor do <italic>The Caribbean Register</italic>, &#x201C;mas escravos negros eram assinantes dele, e &#x00E9; sabido que os negros aos domingos juntavam 25 centavos em d&#x00F3;lar para compr&#x00E1;-lo, a fim de que fosse lido para eles&#x201D;. O Conselho Privado de Dominica tamb&#x00E9;m denunciou o &#x201C;est&#x00ED;mulo dado [ &#x2026;] aos escravos e &#x00E0;s opini&#x00F5;es promulgadas a seu favor&#x201D; por <italic>L&#x2019;Ami</italic>.<xref rid="fn45" ref-type="fn"><sup>45</sup></xref></p>
<p>Como o jornal de Jean Viloux em Trinidad um ano antes, o <italic>L&#x2019;Ami</italic> n&#x00E3;o poderia sobreviver indefinidamente enfrentando tamanha oposi&#x00E7;&#x00E3;o. Pouco tempo depois, o controverso editor aparentemente teve que fugir. Mas um m&#x00EA;s depois de uma s&#x00E9;rie de execu&#x00E7;&#x00F5;es p&#x00FA;blicas brutais que marcaram o fim da insurrei&#x00E7;&#x00E3;o na Dominica, &#x201C;XYZ&#x201D; e o seu jornal voltaram a aparecer, surpreendentemente, em Trinidad. No estilo jornal&#x00ED;stico leve que havia se tornado t&#x00E3;o familiar aos leitores dessa regi&#x00E3;o do Caribe, ele provocava Anketell e outros advers&#x00E1;rios. Embora perseguido por detratores tanto na Martinica como na Dominica, o editor an&#x00F4;nimo havia chegado &#x201C;s&#x00E3;o e salvo&#x201D; &#x00E0; ilha espanhola. Mas essa experi&#x00EA;ncia tinha apenas fortalecido a sua determina&#x00E7;&#x00E3;o de usar a caneta em defesa da liberdade. Em breve, ele e as ideias que abra&#x00E7;ava estariam &#x201C;a caminho do topo&#x201D;.<xref rid="fn46" ref-type="fn"><sup>46</sup></xref></p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Em S&#x00E3;o Domingos, a execu&#x00E7;&#x00E3;o de Og&#x00E9; ocorreu apenas algumas semanas ap&#x00F3;s a supress&#x00E3;o da breve revolta da Dominica, em janeiro de 1791. Nos meses seguintes, as divis&#x00F5;es entre os brancos na col&#x00F4;nia francesa aumentaram, tal como o conflito entre os colonos e os legisladores em Paris. A not&#x00ED;cia da morte violenta de Og&#x00E9; pelas m&#x00E3;os de colonos brancos levou a Assembl&#x00E9;ia Nacional na Fran&#x00E7;a a aprovar, em 15 de maio de 1791, uma medida que concedia direitos de cidadania a um percentual pequeno de mulatos e negros livres e deu um passo ainda mais audacioso de afirmar o direito da Assembl&#x00E9;ia de legislar sobre o status das pessoas nas col&#x00F4;nias. As not&#x00ED;cias sobre o Decreto de Maio chegaram a S&#x00E3;o Domingos em 30 de junho e, segundo um membro da elite, &#x201C;nenhuma palavra pode descrever a f&#x00FA;ria e a indigna&#x00E7;&#x00E3;o que imediatamente se espalharam por toda a col&#x00F4;nia&#x201D;. Os grandes propriet&#x00E1;rios da col&#x00F4;nia reagiram ao que consideravam ser uma intrus&#x00E3;o perigosa nos assuntos coloniais, restabelecendo as assembl&#x00E9;ias locais e regionais para fazer oposi&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; autoridade da Assembl&#x00E9;ia na Fran&#x00E7;a. Nos meses seguintes, os ataques violentos aumentaram muito contra negros e mulatos livres que ousavam falar em defesa dos seus direitos recentemente concedidos. Os fazendeiros e comerciantes come&#x00E7;aram a falar abertamente sobre independ&#x00EA;ncia total da Fran&#x00E7;a. A turbulenta situa&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tica criou uma oportunidade para que os escravos tamb&#x00E9;m pudessem entreter suas ideias de independ&#x00EA;ncia. Enquanto brancos e mulatos debatiam entre si, j&#x00E1; em julho, relat&#x00F3;rios espor&#x00E1;dicos das prov&#x00ED;ncias do Norte e Oeste falavam de uma s&#x00FA;bita onda de revoltas de escravos. Preocupada com outras quest&#x00F5;es, contudo, a classe dos fazendeiros n&#x00E3;o deu import&#x00E2;ncia a esses sinais da rebeli&#x00E3;o em massa que se aproximava.<xref rid="fn47" ref-type="fn"><sup>47</sup></xref></p>
<p>Na noite de 22 de agosto de 1791, mesmo enquanto os representantes dos fazendeiros se dirigiam ao Cap Fran&#x00E7;ais para convocar uma assembl&#x00E9;ia regional, escravos na rica plan&#x00ED;cie do norte ao redor do Cap iniciaram a sua rebeli&#x00E3;o. Durante semanas os l&#x00ED;deres negros j&#x00E1; haviam espalhado a not&#x00ED;cia da revolta pretendida e, quando chegou o momento, a rebeli&#x00E3;o generalizada e bem planejada pegou os brancos desprevenidos. Horas depois do primeiro levante de escravos numa propriedade localizada a quinze quil&#x00F4;metros do Cap, cerca de 100.000 escravos tomaram conhecimento e aderiram &#x00E0; revolta, incendiando as fazendas e atacando sem piedade os propriet&#x00E1;rios de escravos e as suas fam&#x00ED;lias. Imediatamente, os funcion&#x00E1;rios do Cap Fran&#x00E7;ais enviaram delega&#x00E7;&#x00F5;es &#x00E0; Cuba, Jamaica e Estados Unidos para pedir assist&#x00EA;ncia na luta contra os rebeldes negros, mas receberam pouco apoio. Para piorar ainda mais a situa&#x00E7;&#x00E3;o, poucos dias ap&#x00F3;s a rebeli&#x00E3;o nas prov&#x00ED;ncias do norte, mulatos e negros provocaram uma segunda onda de revoltas armadas no ocidente. Batalhas terr&#x00ED;veis entre as tropas governamentais e rebeldes mal armados resultaram em milhares de mortes entre os rebeldes, mas essas derrotas n&#x00E3;o conseguiram impedir as invas&#x00F5;es e a destrui&#x00E7;&#x00E3;o das fazendas nos arredores, e at&#x00E9; amea&#x00E7;aram invadir as cidades, agora j&#x00E1; lotadas com milhares de refugiados brancos. Dois meses ap&#x00F3;s a revolta no norte, os funcion&#x00E1;rios franceses estimaram que mais de 2.000 brancos tinham perdido a vida, e que os rebeldes tinham destru&#x00ED;do 180 canaviais e mais de 900 propriedades dedicadas &#x00E0; produ&#x00E7;&#x00E3;o de caf&#x00E9;, algod&#x00E3;o e &#x00ED;ndigo.<xref rid="fn48" ref-type="fn"><sup>48</sup></xref></p>
<p>As not&#x00ED;cias dos acontecimentos sem precedentes em S&#x00E3;o Domingos em agosto de 1791 chegaram rapidamente a todas as partes das Am&#x00E9;ricas, mas estes acontecimentos obviamente interessavam a residentes de outras sociedades agr&#x00E1;rias escravistas. Nunca na hist&#x00F3;ria da escravid&#x00E3;o no Novo Mundo os negros tinham sido t&#x00E3;o violentos contra os seus opressores e, em meados de 1792, observadores de todas as Am&#x00E9;ricas reconheceram que os rebeldes de S&#x00E3;o Domingos n&#x00E3;o permitiriam que os franceses pusessem um r&#x00E1;pido fim &#x00E0; revolu&#x00E7;&#x00E3;o que havia come&#x00E7;ado.</p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Atrav&#x00E9;s das estreitas liga&#x00E7;&#x00F5;es comerciais entre os territ&#x00F3;rios, um n&#x00FA;mero substancial de norte-americanos desde o in&#x00ED;cio tinha interesse pessoal na revolu&#x00E7;&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos. Nos anos que antecederam e que se seguiram &#x00E0; rebeli&#x00E3;o dos escravos de 1791, navios dos principais portos da rec&#x00E9;m-criada na&#x00E7;&#x00E3;o dos Estados Unidos frequentavam os portos da col&#x00F4;nia francesa. Al&#x00E9;m de fornecerem farinha, madeira e outros bens dos quais os franceses desesperadamente precisavam durante a depress&#x00E3;o comercial do in&#x00ED;cio da d&#x00E9;cada de 1790, os navios mercantes dos Estados Unidos mantiveram os seus residentes, bem como os do Caribe, a par da situa&#x00E7;&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos.</p>
<p>Quando os acontecimentos na Fran&#x00E7;a de 1789 restringiram o n&#x00FA;mero de navios provenientes da Europa, os navios dos Estados Unidos passaram a suprir as necessidades da col&#x00F4;nia francesa. No final de 1790, os navios norte-americanos representaram uma ajuda crucial para uma economia inst&#x00E1;vel. Sem os americanos para fornecer farinha e outras provis&#x00F5;es, escreveu um colonizador franc&#x00EA;s durante a &#x00E9;poca de escassez e pre&#x00E7;os elevados, &#x201C;estar&#x00ED;amos em circunst&#x00E2;ncias das mais extremas&#x201D;. Ele n&#x00E3;o exagerou a import&#x00E2;ncia dos comerciantes dos Estados Unidos nos meses que antecederam a rebeli&#x00E3;o dos escravos. Numa t&#x00ED;pica semana de final de agosto e princ&#x00ED;pio de setembro de 1790, navios vindos de New London, Newburyport, Boston, Filad&#x00E9;lfia, Baltimore, Hampton e Charleston chegaram em Port-au-Prince, e em Cayes chegaram navios de Salem, Boston, e Norfolk. Durante o mesmo per&#x00ED;odo, navios partiram destes portos de S&#x00E3;o Domingos para Baltimore, New Bern, Boston, Filad&#x00E9;lfia e Nova Iorque.<xref rid="fn49" ref-type="fn"><sup>49</sup></xref> No Cap Fran&#x00E7;ais, o maior porto de S&#x00E3;o Domingos e o mais acess&#x00ED;vel &#x00E0; navega&#x00E7;&#x00E3;o rumo ao sul, agentes comerciais e capit&#x00E3;es de navios americanos relataram &#x201D;cerca de cinquenta embarca&#x00E7;&#x00F5;es americanas [ &#x2026;] e outros chegando diariamente&#x201D; em fevereiro de 1790 e &#x201C;um grande n&#x00FA;mero de americanos&#x201D; ancorados um ano mais tarde.<xref rid="fn50" ref-type="fn"><sup>50</sup></xref></p>
<p>Ap&#x00F3;s o in&#x00ED;cio da rebeli&#x00E3;o em Cap, em agosto de 1791, os navios dos Estados Unidos foram determinantes na dissemina&#x00E7;&#x00E3;o de not&#x00ED;cias sobre a insurrei&#x00E7;&#x00E3;o em outras partes das Am&#x00E9;ricas. Os navios mercantes norte-americanos que se dirigiam para os seus portos de origem forneciam informa&#x00E7;&#x00F5;es valiosas &#x00E0;s autoridades espanholas e, presumivelmente, a outros residentes interessados, durante escalas em Cuba. Os seus relat&#x00F3;rios abrangentes e detalhados indicam que tanto os capit&#x00E3;es como a tripula&#x00E7;&#x00E3;o sabiam que haviam testemunhado o desenrolar da hist&#x00F3;ria. Num per&#x00ED;odo de oito semanas entre o final do ver&#x00E3;o e o outono de 1791, o capit&#x00E3;o John Davison da <italic>Charming Sally</italic> assistiu a batalhas entre insurgentes negros e tropas governamentais tanto em Cap Fran&#x00E7;ais como em Porto Pr&#x00ED;ncipe. Davison inclusive descreveu um momento surpreendente dos rebeldes no exerc&#x00ED;cio do poder recentemente adquirido em que uma delega&#x00E7;&#x00E3;o de rebeldes negros armados entram em Porto Pr&#x00ED;ncipe &#x201C;exigindo a liberdade dos Homens, caso contr&#x00E1;rio, deixariam a cidade em Cinzas&#x201D;. Em 1793, traficantes de escravos americanos que re-exportavam africanos das ilhas do Caribe para os Estados Unidos haviam substitu&#x00ED;do os seus rivais espanh&#x00F3;is e franceses na fun&#x00E7;&#x00E3;o de principais fornecedores de escravos e informa&#x00E7;&#x00F5;es de S&#x00E3;o Domingos para Cuba. As embarca&#x00E7;&#x00F5;es que iam e vinham de Charleston pareciam estar especialmente ativas neste per&#x00ED;odo.<xref rid="fn51" ref-type="fn"><sup>51</sup></xref></p>
<p>Os americanos que participavam do com&#x00E9;rcio com S&#x00E3;o Domingos durante os primeiros anos da revolu&#x00E7;&#x00E3;o escrava constitu&#x00ED;am um grupo heterog&#x00EA;neo e representavam v&#x00E1;rias correntes pol&#x00ED;ticas. Nos portos americanos, organiza&#x00E7;&#x00F5;es de marinheiros como a &#x201C;Marine Anti-Britannic Society&#x201D;, de Charleston, apoiavam a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa e marinheiros procedentes dos estados do norte que se encontravam em S&#x00E3;o Domingos juntavam-se ao povo local para brindar &#x00E0; sa&#x00FA;de da Rep&#x00FA;blica.<xref rid="fn52" ref-type="fn"><sup>52</sup></xref> Embora as autoridades francesas recebessem bem o com&#x00E9;rcio com navios ianques, eles reclamavam que os americanos tendiam a fazer neg&#x00F3;cios com todas as fac&#x00E7;&#x00F5;es presentes na col&#x00F4;nia. Em 1792, um almirante franc&#x00EA;s temia as consequ&#x00EA;ncias de um decl&#x00ED;nio no com&#x00E9;rcio americano com os desesperados colonos brancos, mas no ano seguinte outro oficial da marinha solicitou que uma fragata ou navio de guerra fosse ancorado na costa de Porto Pr&#x00ED;ncipe para interceptar &#x201C;intrusos&#x201D; americanos, o que parece indicar que os americanos estavam fazendo com&#x00E9;rcio com os rebeldes.<xref rid="fn53" ref-type="fn"><sup>53</sup></xref> Depois que as declara&#x00E7;&#x00F5;es de guerra contra a Fran&#x00E7;a em 1793 impulsionaram os ingleses e espanh&#x00F3;is a invadir a col&#x00F4;nia rebelde a partir de dire&#x00E7;&#x00F5;es opostas, em tentativas simult&#x00E2;neas de anex&#x00E1;-la, o com&#x00E9;rcio norte-americano fortaleceu as for&#x00E7;as de ocupa&#x00E7;&#x00E3;o de ambas as na&#x00E7;&#x00F5;es.<xref rid="fn54" ref-type="fn"><sup>54</sup></xref></p>
<p>Not&#x00ED;cias dos acontecimentos em S&#x00E3;o Domingos chegaram rapidamente aos Estados Unidos a bordo desses navios mercantes. Quando Vincent Og&#x00E9; chegou a Charleston no final de 1790, os jornais da cidade portu&#x00E1;ria da Carolina do Sul por cerca de oito meses j&#x00E1; estavam usando relat&#x00F3;rios de capit&#x00E3;es dos navios para dar not&#x00ED;cias sobre as lutas raciais e de diferentes fac&#x00E7;&#x00F5;es no Caribe franc&#x00EA;s; no ano seguinte, os jornais de Charleston republicaram os despachos traduzidos de assembl&#x00E9;ias coloniais no Caribe franc&#x00EA;s e documentos europeus importantes, como a Declara&#x00E7;&#x00E3;o dos Direitos do Homem.<xref rid="fn55" ref-type="fn"><sup>55</sup></xref></p>
<p>N&#x00E3;o chega a surpreender que os relatos sobre as dram&#x00E1;ticas ocorr&#x00EA;ncias em S&#x00E3;o Domingos renderam bastante para a imprensa, fornecendo assunto para in&#x00FA;meras mat&#x00E9;rias discutidas ao longo da costa leste norte-americana nas &#x00FA;ltimas semanas de 1791. Assim que conseguiam confirmar os relatos orais, os editores de jornais publicavam mat&#x00E9;rias sobre a rebeli&#x00E3;o negra. A primeira not&#x00ED;cia sobre a revolta s&#x00F3; chegou &#x00E0; Filad&#x00E9;lfia em meados de setembro de 1791, mas quando os jornalistas mais cautelosos finalmente confirmaram a veracidade desses primeiros relatos, diversos jornais rivais, da Nova Inglaterra at&#x00E9; a Carolina do Sul, j&#x00E1; haviam publicado hist&#x00F3;rias longas e chamativas sobre os acontecimentos da noite de 22 de agosto.<xref rid="fn56" ref-type="fn"><sup>56</sup></xref></p>
<p>Enquanto assimilavam os relatos sobre a insurrei&#x00E7;&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos, os brancos logo perceberam os primeiros ind&#x00ED;cios de que a not&#x00ED;cia havia chegado aos ouvidos dos negros norte-americanos. Relatos da crescente inquieta&#x00E7;&#x00E3;o entre escravos ao longo da costa for&#x00E7;aram as autoridades a buscar estrat&#x00E9;gias para desmontar as redes de comunica&#x00E7;&#x00E3;o que os escravos utilizavam para se manter informados sobre os acontecimentos em outras partes da bacia do Atl&#x00E2;ntico. A legislatura da Virg&#x00ED;nia, por exemplo, tomou v&#x00E1;rias medidas para suprimir a discuss&#x00E3;o p&#x00FA;blica de assuntos externos durante as primeiras etapas das revolu&#x00E7;&#x00F5;es na Fran&#x00E7;a e em S&#x00E3;o Domingos. Durante a primavera de 1792, sinais de uma iminente revolta geral de escravos apareceram na regi&#x00E3;o do leste da Virginia. Investigadores oficiais do estado culparam &#x201C;o.exemplo do Caribe&#x201D; pelas conspira&#x00E7;&#x00F5;es locais de escravos que descobriram em Northampton e Norfolk. Esta descoberta levou a Assembl&#x00E9;ia Geral do estado a revisar todo o seu c&#x00F3;digo de escravid&#x00E3;o e impor restri&#x00E7;&#x00F5;es mais r&#x00ED;gidas contra reuni&#x00F5;es de escravos, qualquer que fosse o prop&#x00F3;sito. No final do mesmo ano, os magistrados recorreram a medidas mais abrangentes para conter a propaga&#x00E7;&#x00E3;o da agita&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tica e da incerteza no estado, tanto entre os escravos como na popula&#x00E7;&#x00E3;o em geral. Uma lei de dezembro de 1792 revela at&#x00E9; que ponto os governantes da Virg&#x00ED;nia temiam as consequ&#x00EA;ncias da dissemina&#x00E7;&#x00E3;o descontrolada de informa&#x00E7;&#x00F5;es e ideias, ao mesmo tempo que exp&#x00F5;e a sua sensa&#x00E7;&#x00E3;o de impot&#x00EA;ncia para control&#x00E1;-la. Citando as muitas &#x201C;pessoas ociosas e de mente abarrotada&#x201D;, que &#x201C;forjam e divulgam falsos rumores e relatos&#x201D;, as autoridades civis impuseram uma &#x201C;Lei contra divulgadores de not&#x00ED;cias falsas&#x201D; que permaneceu em vigor durante a maior parte da d&#x00E9;cada.<xref rid="fn57" ref-type="fn"><sup>57</sup></xref></p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Na Jamaica, a col&#x00F4;nia produtora de a&#x00E7;&#x00FA;car cuja economia e demografia mais se assemelhavam &#x00E0;s de S&#x00E3;o Domingos, a not&#x00ED;cia da rebeli&#x00E3;o na vizinhan&#x00E7;a teve um efeito profundo e duradouro. Menos de duas semanas haviam se passado entre a noite de 22 de agosto e o surgimento dos ind&#x00ED;cios iniciais de que os jamaicanos brancos estavam discutindo a revolta e circulando entre si as not&#x00ED;cias sobre o evento. As not&#x00ED;cias sobre a revolta podem ter chegado &#x00E0; maioria negra da ilha ainda mais cedo. Em 7 de setembro, o governador Effingham informou ao Secret&#x00E1;rio de Estado sobre a &#x201C;Terr&#x00ED;vel Insurrei&#x00E7;&#x00E3;o dos Negros&#x201D;, a partir de relatos que ele recebeu de emiss&#x00E1;rios enviados da col&#x00F4;nia francesa para &#x201C;implorar ajuda&#x201D; da Assembl&#x00E9;ia da Jamaica. Mas a essa altura, as not&#x00ED;cias sobre a insurrei&#x00E7;&#x00E3;o j&#x00E1; estavam circulando nas ruas de Spanish Town e Kingston. Em 10 de setembro, William Dineley, um &#x201C;cirurgi&#x00E3;o da Guin&#x00E9;&#x201D; que tinha trabalhado no tr&#x00E1;fico de escravos na &#x00C1;frica e estava passando muito tempo nas docas tentando conseguir uma passagem de volta para a Inglaterra, escreveu ao comerciante de Bristol, James Rogers, sobre &#x201C;uma rebeli&#x00E3;o [ &#x2026;] em alguns dos assentamentos franceses&#x201D;, acrescentando que &#x201C;os negros mataram muitos brancos&#x201D;.<xref rid="fn58" ref-type="fn"><sup>58</sup></xref></p>
<p>Enquanto oficiais do governo como Effingham e cidad&#x00E3;os como Dineley expressavam urgente preocupa&#x00E7;&#x00E3;o em suas cartas seladas, publicamente parece ter havido um esfor&#x00E7;o por parte dos brancos jamaicanos para suprimir a discuss&#x00E3;o sobre a revolu&#x00E7;&#x00E3;o crescente na vizinhan&#x00E7;a. Buscava-se em v&#x00E3;o, por exemplo, por informa&#x00E7;&#x00F5;es sobre a col&#x00F4;nia francesa nas p&#x00E1;ginas do jornal semanal mais informativo da Jamaica. De outubro de 1791 at&#x00E9; o final do ano, apenas uma refer&#x00EA;ncia breve e ins&#x00ED;pida sobre &#x201C;problemas recentes em Hispaniola&#x201D; foi publicada na <italic>Royal Gazette</italic> de Kingston &#x2013; e isso somente tr&#x00EA;s meses ap&#x00F3;s o in&#x00ED;cio da rebeli&#x00E3;o.<xref rid="fn59" ref-type="fn"><sup>59</sup></xref> A conspira&#x00E7;&#x00E3;o oficial do sil&#x00EA;ncio &#x2013; uma medida que visava amenizar o medo dos brancos e apagar as esperan&#x00E7;as dos negros com rela&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0;s revoltas de escravos nas redondezas &#x2013; persistiu mesmo quando o governo recorreu a estrat&#x00E9;gias defensivas mais evidentes. Uma mulher, membro da congrega&#x00E7;&#x00E3;o Metodista em Kingston, acrescentou uma nota ir&#x00F4;nica &#x00E0; sua longa e detalhada descri&#x00E7;&#x00E3;o da turbulenta &#x201C;situa&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tica&#x201D; da Jamaica no final de 1791. Embora os rumores de agita&#x00E7;&#x00E3;o escrava continuassem a aumentar, as unidades da mil&#x00ED;cia treinavam noite e dia e as pessoas falavam abertamente sobre a possibilidade de lei marcial, ela escreveu que &#x201C;a inten&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; manter sigilo sobre os motivos para tudo isso&#x201D;.<xref rid="fn60" ref-type="fn"><sup>60</sup></xref> Ciente de que mesmo a comunica&#x00E7;&#x00E3;o escrita compartilhada de forma privada corria riscos desnecess&#x00E1;rios no mundo onde not&#x00ED;cias de interesse da maioria negra poderiam se espalhar rapidamente sem controle, observadores brancos mantinham-se em alto estado de alerta e autocensura. A avalia&#x00E7;&#x00E3;o de um correspondente sobre a mesma situa&#x00E7;&#x00E3;o tensa referiu-se indiretamente a algumas &#x201C;<italic>circunst&#x00E2;ncias particulares</italic> que consideramos, no momento, <italic>impr&#x00F3;prias para serem colocadas no papel</italic>&#x201D;.<xref rid="fn61" ref-type="fn"><sup>61</sup></xref></p>
<p>Em contraste com esse sil&#x00EA;ncio cuidadoso entre os brancos livres, seus escravos rapidamente demonstravam &#x00E1;vido interesse pela rebeli&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos, interesse que &#x00E0;s vezes se tornava p&#x00FA;blico o suficiente para que os brancos o notassem. O comandante das for&#x00E7;as militares da ilha observou que os escravos jamaicanos eram &#x201C;imediatamente informados de todo tipo de not&#x00ED;cia que chegava&#x201D; e conheciam &#x201C;perfeitamente todas as transa&#x00E7;&#x00F5;es no Cabo Fran&#x00E7;ois&#x201D;. Em meados de setembro, a revolta dos escravos franceses j&#x00E1; havia encontrado express&#x00E3;o na cultura oral dos escravos jamaicanos: as can&#x00E7;&#x00F5;es tradicionais agora inclu&#x00ED;am novas estrofes que descreviam &#x201C;os negros que haviam feito a rebeli&#x00E3;o em Hispaniola&#x201D;.<xref rid="fn62" ref-type="fn"><sup>62</sup></xref> &#x00C0; medida que o fim do ano se aproximava, relat&#x00F3;rios vindos de v&#x00E1;rias partes da Jamaica, tanto da cidade quanto do campo, ecoaram essas observa&#x00E7;&#x00F5;es. Em novembro, dizia-se que os escravos de Kingston estavam &#x201C;perfeitamente familiarizados com tudo o que se fazia em Hispaniola&#x201D;. Os magistrados da par&#x00F3;quia de Clarendon, localizados no centro, prenderam v&#x00E1;rios &#x201C;l&#x00ED;deres negros de algumas das fazendas&#x201D; por falarem &#x201C;muito abertamente sobre a rebeli&#x00E3;o em Hispaniola&#x201D;. Al&#x00E9;m de celebrar a resist&#x00EA;ncia dos &#x201C; &#x2018;<italic>Negros no pa&#x00ED;s franc&#x00EA;s</italic>&#x2019; (express&#x00E3;o usada por eles)&#x201D;, os prisioneiros confessaram ter &#x201C;expressado tamb&#x00E9;m sua esperan&#x00E7;a de que uma revolta semelhante ocorresse em breve na Jamaica&#x201D;.<xref rid="fn63" ref-type="fn"><sup>63</sup></xref> Embora essa esperan&#x00E7;a nunca tenha se tornado realidade, a revolta dos escravos em S&#x00E3;o Domingos teve uma influ&#x00EA;ncia muito grande sobre a ilha brit&#x00E2;nica, como ocorreu em todo o Novo Mundo, e permaneceu como elemento fundamental para a pol&#x00ED;tica regional durante uma gera&#x00E7;&#x00E3;o.</p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Os Jamaicanos mal haviam come&#x00E7;ado a se ajustar &#x00E0; realidade de S&#x00E3;o Domingos quando fortes ventos e correntes e a curta dist&#x00E2;ncia da col&#x00F4;nia francesa &#x00E0; costa jamaicana trouxeram a revolu&#x00E7;&#x00E3;o vizinha para mais perto. Os negros de S&#x00E3;o Domingos come&#x00E7;aram a chegar &#x00E0; Jamaica logo ap&#x00F3;s os levantes de agosto e setembro de 1791. Muitas dessas testemunhas oculares da revolu&#x00E7;&#x00E3;o permaneceram escravizadas sob a cust&#x00F3;dia de seus propriet&#x00E1;rios emigrados, enquanto outras tiraram proveito da desorganiza&#x00E7;&#x00E3;o dos fazendeiros para escapar da escravid&#x00E3;o. As autoridades jamaicanas imediatamente expressaram preocupa&#x00E7;&#x00E3;o com os dois tipos de imigrantes negros da col&#x00F4;nia francesa. Em meados de setembro, ap&#x00F3;s o aparecimento da primeira onda de refugiados brancos, o governador Effingham emitiu ordens destinadas a &#x201C;impedir que seus negros viessem se misturar com os nossos&#x201D;. Essas medidas proibiam o desembarque de negros &#x201C;sem permiss&#x00E3;o espec&#x00ED;fica&#x201D; e bania todo &#x201C;negro&#x201D; que chegasse. Controlar a chegada de imigrantes negros e pardos sem senhor, no entanto, apresentava um problema maior. Mesmo com as ordens de Effingham entrando em vigor, &#x201C;v&#x00E1;rias canoas haviam chegado &#x00E0; costa leste da Jamaica com negros de St. Domingo.&#x201D;<xref rid="fn64" ref-type="fn"><sup>64</sup></xref></p>
<p>Entre 1791 e 1793, o medo de que qualquer &#x201C;negro franc&#x00EA;s&#x201D;, escravizado ou n&#x00E3;o, pudesse comunicar o esp&#x00ED;rito de rebeli&#x00E3;o aos negros na Jamaica moldou a pol&#x00ED;tica oficial. Embora as primeiras leis n&#x00E3;o proibissem estritamente o desembarque de n&#x00E3;o-brancos de S&#x00E3;o Domingos, elas estabeleceram alguns limites. Uma proclama&#x00E7;&#x00E3;o real emitida em dezembro de 1791 proibiu &#x201C;pessoas de cor livres e negros livres&#x201D; de se estabelecerem na Jamaica antes que &#x201C;dois chefes de fam&#x00ED;lia (brancos) conceituados&#x201D; testemunhassem sobre seu bom car&#x00E1;ter perante o magistrado-chefe da par&#x00F3;quia. A Assembl&#x00E9;ia fazia verifica&#x00E7;&#x00F5;es peri&#x00F3;dicas solicitando nome, endere&#x00E7;o e autoriza&#x00E7;&#x00F5;es oficiais de todos os mulatos e negros livres de l&#x00ED;ngua francesa que viviam na Jamaica. Ap&#x00F3;s a chegada de uma segunda onda de imigrantes de S&#x00E3;o Domingos a partir do primeiro dia do ano, incluindo empregados dom&#x00E9;sticos negros, o rec&#x00E9;m-nomeado governador Adam Williamson reiterou as instru&#x00E7;&#x00F5;es anteriores de Effingham de que os magistrados locais deveriam ser &#x201C;muito vigilantes para que n&#x00E3;o haja comunica&#x00E7;&#x00E3;o entre os servos franceses e escravos ingleses&#x201D;.<xref rid="fn65" ref-type="fn"><sup>65</sup></xref></p>
<p>Citando a necessidade de impedir &#x201C;a comunica&#x00E7;&#x00E3;o entre os escravos desta ilha e os escravos [ &#x2026;] trazidos da ilha de Santo Domingo&#x201D;, a Assembl&#x00E9;ia aprovou uma lei em maio de 1792 que estabeleceu diretrizes r&#x00ED;gidas para o emprego de escravos &#x201C;estrangeiros&#x201D; na Jamaica. De acordo com suas disposi&#x00E7;&#x00F5;es, ningu&#x00E9;m podia &#x201C;comprar, alugar ou empregar&#x201D; qualquer escravo trazido para a ilha depois de 23 de agosto de 1791 &#x2013; o dia seguinte ao in&#x00ED;cio da rebeli&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos. Mas, para acomodar os refugiados franceses, a maioria dos quais estavam em Kingston, esses escravos podem ser empregados legalmente em &#x201C;cidades portu&#x00E1;rias&#x201D;, com a condi&#x00E7;&#x00E3;o de que nunca lhes seja permitido &#x201C;transladar-se ao interior&#x201D;.<xref rid="fn66" ref-type="fn"><sup>66</sup></xref></p>
<p>Assim que essa lei entrou em vigor, no entanto, as autoridades encontraram v&#x00E1;rias camadas de resist&#x00EA;ncia aos seus esfor&#x00E7;os para monitorar as atividades dos escravos franceses que trabalhavam na Jamaica. Como os propriet&#x00E1;rios e empregadores nas &#x00E1;reas urbanas se recusaram a registrar seus escravos estrangeiros junto aos magistrados locais, a Assembl&#x00E9;ia n&#x00E3;o tinha como acompanhar o n&#x00FA;mero de escravos franceses que trabalhavam na ilha. Outros empregadores de m&#x00E3;o-de-obra negra optaram por ignorar completamente a lei do &#x201C;escravo estrangeiro&#x201D;. Nathaniel Bayly, dono de v&#x00E1;rias propriedades perto da costa nordeste, n&#x00E3;o achava nada de errado em importar negros franceses. Pelo menos dois navios mercantes que iam a S&#x00E3;o Domingos saindo de Port Maria, um pequeno porto na costa norte da Jamaica, traziam de volta agrupamentos inteiros de escravos de l&#x00ED;ngua francesa e crioula para trabalhar nas fazendas de a&#x00E7;&#x00FA;car de Bayly. Os investigadores da par&#x00F3;quia, horrorizados, descobriram que muitos destes trabalhadores sem documentos eram &#x201C;de capacidade aprimorada e falam ingl&#x00EA;s e franc&#x00EA;s&#x201D;. Como os observadores brancos reconheceram, a capacidade de traduzir palavras e ideias francesas para o ingl&#x00EA;s representava uma amea&#x00E7;a constante. Mas isso foi amplificado pelo fato de que muitos africanos escravizados ainda podiam se comunicar em suas l&#x00ED;nguas ancestrais. &#x201C;Embora nossos negros n&#x00E3;o entendam franc&#x00EA;s&#x201D;, advertiu o <italic>Royal Gazette</italic> da Jamaica, &#x201C;todos eles conhecem <italic>seu pr&#x00F3;prio pa&#x00ED;s</italic>&#x201D;.<xref rid="fn67" ref-type="fn"><sup>67</sup></xref></p>
<p>Nas cidades, a teia b&#x00E1;sica de contatos no meio urbano logo aproximou os rec&#x00E9;m-chegados de S&#x00E3;o Domingos aos locais. Tamb&#x00E9;m forneceu oportunidades para os imigrantes negros e pardos estabelecerem suas pr&#x00F3;prias redes de apoio. A partir de meados de 1792, em Kingston e Spanish Town, um fluxo constante de fugitivos de l&#x00ED;ngua francesa foi dirigido a asilos, onde os residentes foram obrigados a trabalhar. A maioria era formada por mulheres &#x2013; dom&#x00E9;sticas escravizadas por refugiados brancos da revolu&#x00E7;&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos &#x2013; que foram recolhidas junto com o costumeiro elenco heterog&#x00EA;neo de desertores locais. A habilidade de se comunicar em ingl&#x00EA;s pode ter predisposto alguns desses escravos de confian&#x00E7;a a buscar a liberdade neste novo lugar. Um colono franc&#x00EA;s perdeu dois membros de sua casa entre 1792 e 1793. O cabeleireiro Charmant fugiu em agosto de 1792 para seguir sua profiss&#x00E3;o de forma independente em Kingston. Daphne, que deixou o emprego da Sra. Espent no m&#x00EA;s de mar&#x00E7;o seguinte, era suspeita de ter se escondido em Kingston &#x201C;com alguns daqueles mulatos que escaparam da puni&#x00E7;&#x00E3;o merecida em Santo Domingo&#x201D;. Charmant e Daphne falavam ingl&#x00EA;s e franc&#x00EA;s.<xref rid="fn68" ref-type="fn"><sup>68</sup></xref></p>
<p>Enquanto buscavam controlar a vida dos escravos franceses que vinham para a Jamaica com seus senhores, as autoridades tamb&#x00E9;m prestavam muita aten&#x00E7;&#x00E3;o aos negros que iam para a ilha sem senhores. Reagindo aos primeiros relatos sobre as chegadas de canoas na costa leste escassamente povoada e vulner&#x00E1;vel da Jamaica, o governador trabalhou com oficiais navais e autoridades portu&#x00E1;rias para impedir que negros franceses chegassem &#x00E0; Jamaica sem serem detectados. Separada de S&#x00E3;o Domingos por um canal de apenas 160 quil&#x00F4;metros de largura em seu ponto mais estreito, a Jamaica ficava bem ao alcance at&#x00E9; mesmo de pequenos barcos sem conv&#x00E9;s que partiam de Hispaniola ocidental, e os ventos predominantes do oeste permitiam a passagem suave e r&#x00E1;pida. O almirante em Port Royal mudou rapidamente os navios sob seu comando para posicion&#x00E1;-los ao longo das costas do norte e do leste. Em junho de 1792, oficiais da marinha encarregaram um navio de guerra que cruzava o canal entre a Jamaica e S&#x00E3;o Domingos da tarefa espec&#x00ED;fica de &#x201C;interceptar navios com negros fugitivos&#x201D; da col&#x00F4;nia francesa.<xref rid="fn69" ref-type="fn"><sup>69</sup></xref> Al&#x00E9;m disso, eles orientaram os capit&#x00E3;es nos portos livres para &#x201C;tomar nota&#x201D; dos negros e pardos a bordo de todos os navios estrangeiros que chegavam e para garantir que os marinheiros n&#x00E3;o brancos partissem nos navios em que chegaram.<xref rid="fn70" ref-type="fn"><sup>70</sup></xref></p>
<p>Nem essas precau&#x00E7;&#x00F5;es cuidadosas foram capazes de manter fora da Jamaica uma gama informada e variada de viajantes negros de S&#x00E3;o Domingos. Muitos deles chegavam de uma forma que relembra a chegada dos escravos ingleses e franceses que se dirigiam para Trinidad alguns anos antes: conseguiam fugir dos navios de guerra que patrulhavam a costa e chegavam &#x00E0; Jamaica em canoas e outras embarca&#x00E7;&#x00F5;es abertas destinadas &#x00E0; pesca e ao com&#x00E9;rcio costeiro. Os relatos da chegada de canoas com fugitivos a bordo, inicialmente vagos, ficaram cada vez mais detalhados &#x00E0; medida que semanas de rebeli&#x00E3;o se transformaram em meses. Robert Bartlett, capit&#x00E3;o da guarda municipal de Kingston, relatou que prendeu oito &#x201C;negros perigosos&#x201D;, seis homens e duas mulheres, que &#x201C;chegaram em um barco aberto e atracaram no extremo oeste da cidade&#x201D; em setembro de 1793. No m&#x00EA;s seguinte, o escriv&#x00E3;o do juiz de paz da cidade revelou que mais cinco &#x201C;pessoas de cor livres&#x201D; que haviam chegado pelos mesmos meios foram detidas, presas e, posteriormente, deportadas.<xref rid="fn71" ref-type="fn"><sup>71</sup></xref></p>
<p>Alguns dos passageiros a bordo dessas canoas eram na verdade ex-residentes da Jamaica que foram vendidos ou transportados e estavam aproveitando a desarticula&#x00E7;&#x00E3;o causadas pela revolu&#x00E7;&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos para retornar &#x00E0;s fam&#x00ED;lias e aos amigos na col&#x00F4;nia inglesa. Um prisioneiro na casa de trabalho for&#x00E7;ado na par&#x00F3;quia de St. James, em abril de 1792, disse &#x00E0;s autoridades que havia sido transportado, mas &#x201C;fugiu de Hispaniola h&#x00E1; cerca de seis meses, com outras tr&#x00EA;s pessoas, em uma canoa&#x201D;. Um navio dos Estados Unidos o apanhou no mar e o trouxe para a Jamaica. Enquanto se dirigia da costa norte para Kingston, a tripula&#x00E7;&#x00E3;o de uma chalupa brit&#x00E2;nica descobriu uma canoa&#x201D; que se dirigia para a Jamaica. Ao serem apanhados, os sete negros a bordo relataram &#x2013; em ingl&#x00EA;s &#x2013; que &#x201C;eram escravos de certos franceses da ilha de S&#x00E3;o Domingos, que anteriormente os haviam comprado de pessoas desta Ilha&#x201D;.<xref rid="fn72" ref-type="fn"><sup>72</sup></xref></p>
<p>Emigrantes pretos e pardos de S&#x00E3;o Domingos chegaram a bordo de navios maiores tamb&#x00E9;m. No in&#x00ED;cio de 1792, a Guarda Municipal de Kingston prendeu &#x201C;mais de vinte negros estrangeiros, de Aux Cayes, Jeremie e outros portos de Hispaniola&#x201D; em uma resid&#x00EA;ncia particular no distrito do cais da cidade. Tendo sido &#x201C;desembarcados em &#x00E9;pocas diferentes de navios que negociavam para este porto&#x201D;, a maioria desses &#x201C;camaradas robustos&#x201D; falava ingl&#x00EA;s e alguns moravam na Jamaica clandestinamente h&#x00E1; tr&#x00EA;s meses.<xref rid="fn73" ref-type="fn"><sup>73</sup></xref> Em maio, as autoridades apreenderam mais rapidamente &#x201C;um homem negro chamado Ferror&#x201D;, um nativo de S&#x00E3;o Crist&#x00F3;v&#x00E3;o que falava ingl&#x00EA;s. Dois dias depois de sua chegada a Port Royal a bordo de um navio ingl&#x00EA;s de Saint-Marc, uma cidade portu&#x00E1;ria no oeste de S&#x00E3;o Domingos, eles internaram Ferror na casa de trabalho de Kingston por ter desempenhado &#x201C;um papel muito ativo nos terr&#x00ED;veis ultrajes nas proximidades de S&#x00E3;o Marcos&#x201D;.<xref rid="fn74" ref-type="fn"><sup>74</sup></xref> Naquela mesma semana, um homem que passeava ao longo da orla &#x00E0; noite &#x201C;avistou, para seu grande espanto, mais de quarenta estrangeiros de cor e negros, uniformemente vestidos, chegando ao litoral, aparentemente, tendo acabado de desembarcar&#x201D; de um navio que chegou a Port Royal.<xref rid="fn75" ref-type="fn"><sup>75</sup></xref></p>
<p>Ao longo de 1792 e no in&#x00ED;cio do ano seguinte, relat&#x00F3;rios dos &#x00FA;ltimos acontecimentos em S&#x00E3;o Domingos chegavam constantemente a bordo dos navios que mantinham interc&#x00E2;mbio ininterrupto entre as col&#x00F4;nias brit&#x00E2;nicas e francesas. Praticamente todas as edi&#x00E7;&#x00F5;es da <italic>Royal Gazette</italic>, mesmo carecendo de not&#x00ED;cias diretas sobre a rebeli&#x00E3;o dos escravos em S&#x00E3;o Domingos, inclu&#x00ED;am not&#x00ED;cias de chegadas e partidas de navios franceses e brit&#x00E2;nicos que participavam do com&#x00E9;rcio ativo, embora modesto, entre as duas col&#x00F4;nias. As embarca&#x00E7;&#x00F5;es que chegavam n&#x00E3;o s&#x00F3; traziam not&#x00ED;cias na forma de panfletos e outros materiais impressos, mas tamb&#x00E9;m abriam alguma possibilidade de contato humano entre negros que trabalhavam em ocupa&#x00E7;&#x00F5;es mar&#x00ED;timas de ambas as costas. Mesmo com as pol&#x00ED;ticas mais r&#x00ED;gidas em vigor em rela&#x00E7;&#x00E3;o ao desembarque de escravos e mulatos franceses e marinheiros n&#x00E3;o brancos, podia se ver um ou outro marinheiro negro de l&#x00ED;ngua francesa perambular em liberdade nas ruas de Kingston e Spanish Town.<xref rid="fn76" ref-type="fn"><sup>76</sup></xref> Em janeiro de 1793, uma dupla de marinheiros negros escravizados da uma escuna francesa abandonou seu navio e desapareceu no submundo de Spanish Town, sendo presos tr&#x00EA;s dias depois. Aparentemente, seu breve encarceramento teve pouco ou nenhum efeito de intimida&#x00E7;&#x00E3;o; a mesma dupla logo acabou na casa de trabalho em uma viagem subsequente &#x00E0; Jamaica.<xref rid="fn77" ref-type="fn"><sup>77</sup></xref></p>
<p>Significativamente, mas n&#x00E3;o surpreendentemente, existem fragmentos de evid&#x00EA;ncias sobre marinheiros jamaicanos negros e pardos que queriam viajar na outra dire&#x00E7;&#x00E3;o para testemunhar, ou mesmo aderir, &#x00E0; rebeli&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos. Pelo menos dois marinheiros mulatos demonstraram interesse ativo em fazer a viagem para a col&#x00F4;nia francesa &#x00E0; medida que a revolu&#x00E7;&#x00E3;o continuava. Em maio de 1792, um homem de cor livre &#x201C;que se dizia ser empregado de um pequeno navio que comercializava de Port-Royal para Hispaniola&#x201D; atacou o oficial da marinha que n&#x00E3;o permitiu que ele embarcasse, presumivelmente para S&#x00E3;o Domingos. No ano seguinte, outro mulato a bordo de uma escuna com destino a Cura&#x00E7;ao assassinou seu capit&#x00E3;o, &#x201C;assumiu o comando da embarca&#x00E7;&#x00E3;o e levou-a para a parte francesa de Santo Domingo&#x201D;.<xref rid="fn78" ref-type="fn"><sup>78</sup></xref></p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Na mente dos brancos jamaicanos, a quest&#x00E3;o da mobilidade durante os primeiros anos da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Haitiana refletia uma preocupa&#x00E7;&#x00E3;o maior com o exemplo poderoso que a rebeli&#x00E3;o negra representava. Nos meses que se seguiram a agosto de 1791, muitos observadores brancos detectaram tend&#x00EA;ncias ocultas de resist&#x00EA;ncia entre os escravos jamaicanos, o que para eles estava relacionado &#x00E0;s not&#x00ED;cias de S&#x00E3;o Domingos. Os escravos jamaicanos mostravam grande interesse e conhecimento sobre as transa&#x00E7;&#x00F5;es na col&#x00F4;nia francesa, escreveu um membro da minoria branca em novembro de 1791. J&#x00E1; as not&#x00ED;cias de S&#x00E3;o Domingos, ele notou, haviam tornado os trabalhadores negros &#x201C;pessoas t&#x00E3;o diferentes do que eram&#x201D;. Ele concluiu, a partir dos recentes acontecimentos, que &#x201C;as Id&#x00E9;ias de Liberdade mergulharam t&#x00E3;o profundamente nas mentes de todos os negros que, onde quer que as maiores precau&#x00E7;&#x00F5;es n&#x00E3;o sejam tomadas, eles levantar&#x00E3;o&#x201D;.<xref rid="fn79" ref-type="fn"><sup>79</sup></xref></p>
<p>Como as autoridades previam desde o in&#x00ED;cio, a agita&#x00E7;&#x00E3;o escrava e os rumores de revolta desencadeados pelas not&#x00ED;cias do in&#x00ED;cio da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Haitiana surgiram com for&#x00E7;a especial ao longo da costa norte da ilha. N&#x00E3;o apenas a longa costa da Jamaica estava ao alcance de col&#x00F4;nias estrangeiras e era atraente para navios estrangeiros, mas as defesas da ilha estavam concentradas no canto sudeste da ilha perto de Port Royal, Kingston e a capital de Spanish Town. Ao longo da hist&#x00F3;ria da Jamaica como col&#x00F4;nia escravista brit&#x00E2;nica, o lado norte sempre foi o centro da insurrei&#x00E7;&#x00E3;o, e o inverno de 1791&#x2013;92 chegou perto de repetir cenas anteriores de viol&#x00EA;ncia. Enquanto escravos no litoral se inspiraram por relatos sobre a revolta na ilha vizinha para reavivar as &#x201C;Id&#x00E9;ias de Liberdade&#x201D;, os moradores brancos de par&#x00F3;quias do norte se preparavam para a possibilidade de uma rebeli&#x00E3;o semelhante na Jamaica. Suas observa&#x00E7;&#x00F5;es cuidadosas abrem uma janela valiosa para enxergar a comunica&#x00E7;&#x00E3;o e a pol&#x00ED;tica nesta regi&#x00E3;o entre 1791 e 1793.</p>
<p>Nas &#x00FA;ltimas semanas de 1791, os fazendeiros da costa norte n&#x00E3;o demoraram a se organizar. Nas reuni&#x00F5;es de propriet&#x00E1;rios em cada par&#x00F3;quia criaram &#x201C;comit&#x00EA;s de sigilo e seguran&#x00E7;a&#x201D; encarregados de reunir todas as informa&#x00E7;&#x00F5;es relativas &#x00E0; atividade escrava local e manter as linhas de comunica&#x00E7;&#x00E3;o abertas entre as par&#x00F3;quias. Embora parte do &#x201C;alarme&#x201D; parecesse exagerado para as autoridades que desfrutavam de seguran&#x00E7;a em Spanish Town, no final de novembro os comit&#x00EA;s de seguran&#x00E7;a perto da costa no outro extremo da ilha, nas par&#x00F3;quias de St. James, Trelawny e St. Ann, relataram &#x201C;o grande motivo de prevenir uma Insurrei&#x00E7;&#x00E3;o no lado norte &#x201C;.<xref rid="fn80" ref-type="fn"><sup>80</sup></xref> A &#x201C;rea&#x00E7;&#x00E3;o defensiva&#x201D; dos brancos jamaicanos assumiu v&#x00E1;rias formas. Cada cidade colocou &#x00E0; prova unidades de mil&#x00ED;cia rec&#x00E9;m-formadas ap&#x00F3;s um hiato de nove anos. A Assembl&#x00E9;ia pediu a Londres armas, soldados e navios de guerra. Com a aproxima&#x00E7;&#x00E3;o da &#x00E9;poca do Natal, tradicionalmente a &#x00E9;poca mais dif&#x00ED;cil do ano para impor a disciplina, o governador e a Assembl&#x00E9;ia institu&#x00ED;ram a lei marcial em toda a ilha a partir de 10 de dezembro.<xref rid="fn81" ref-type="fn"><sup>81</sup></xref></p>
<p>As not&#x00ED;cias da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Haitiana ocuparam um lugar proeminente, ou central, na atmosfera de tens&#x00E3;o, empolga&#x00E7;&#x00E3;o e medo ao longo da costa norte, antes e depois da imposi&#x00E7;&#x00E3;o da lei marcial. O comit&#x00EA; de seguran&#x00E7;a da par&#x00F3;quia de St. James, por exemplo, descobriu e relatou v&#x00E1;rios incidentes, confirmando que os relatos da revolta de S&#x00E3;o Domingos estavam se espalhando pelas comunidades escravas da regi&#x00E3;o. Em Montego Bay, um jovem chamado Guy, descrito como um &#x201C;criado [ &#x2026;] extremamente espertalh&#x00E3;o&#x201D;, soube dos &#x201C;negros do barlovento&#x201D; que &#x201C;S&#x00E3;o Domingos se revoltou, matou os <italic>Boccaras</italic> [brancos] e tomou o pa&#x00ED;s&#x201D;. Guy e seu amigo Congo Jack podem ter contribu&#x00ED;do para transmitir essa not&#x00ED;cia do leste aos interlocutores no oeste. Ao ser interrogado, confessou que ele e seu amigo &#x201C;eram mensageiros de informa&#x00E7;&#x00F5;es e se relacionavam com negros em algumas propriedades em Westmoreland&#x201D;. Relatos das fazendas situadas na paisagem montanhosa com vista para Montego Bay diziam que os escravos estavam &#x201C;muito cientes do que aconteceu no exterior&#x201D;. Ignorando as ordens &#x201C;para manter os assuntos de Santo Domingo em segredo&#x201D;, um advogado que trabalhava na propriedade de Green Pond em St. James iniciou uma conversa sobre a situa&#x00E7;&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos com os escravos. Para sua surpresa, o feitor &#x201C;j&#x00E1; estava totalmente informado sobre o assunto&#x201D;, e at&#x00E9; acrescentou detalhes de rebeli&#x00F5;es planejadas em outras par&#x00F3;quias das quais o advogado n&#x00E3;o tinha ideia.<xref rid="fn82" ref-type="fn"><sup>82</sup></xref></p>
<p>Os integrantes do comit&#x00EA; rastrearam esses relatos at&#x00E9; a costa, descobrindo que envolviam pequenos comerciantes estrangeiros e marinheiros que tinham vindo para a Jamaica em conex&#x00E3;o com a Lei do Porto Livre. Em meados de novembro, um empregado branco de uma fazenda &#x201C;ouviu um negro ajuizado dizer a alguns outros que tinha estado em Montego Bay [ &#x2026;] e alguns espanh&#x00F3;is disseram a ele que os negros em Hispaniola agora eram livres e gozavam dos direitos dos homens brancos&#x201D;. J. L. Winn, o comerciante quaker de Montego Bay que presidia o comit&#x00EA; de seguran&#x00E7;a de St. James, disse que alguns relat&#x00F3;rios de inspira&#x00E7;&#x00E3;o espanhola abordavam um tema agora j&#x00E1; familiar. N&#x00E3;o apenas os &#x201C;negros franceses [ &#x2026;] obtiveram toda a sua liberdade&#x201D;, mas o mesmo iria acontecer com os escravos brit&#x00E2;nicos; apenas a oposi&#x00E7;&#x00E3;o dos fazendeiros locais impedia o desejo do rei da Inglaterra de que eles fossem livres. As acusa&#x00E7;&#x00F5;es de jamaicanos proeminentes contra os espanh&#x00F3;is n&#x00E3;o paravam a&#x00ED;. Al&#x00E9;m de responsabilizar a presen&#x00E7;a espanhola pela circula&#x00E7;&#x00E3;o de &#x201C;relatos exagerados&#x201D; sobre a rebeli&#x00E3;o de escravos em S&#x00E3;o Domingos, Winn e seus associados os acusavam de ajudar os escravos da costa norte a obter armas, enquanto jamaicanos negros se organizavam para seguir o exemplo dado pelos rebeldes franc&#x00F3;fonos.<xref rid="fn83" ref-type="fn"><sup>83</sup></xref></p>
<p>Essas constata&#x00E7;&#x00F5;es justificam uma s&#x00E9;rie de medidas tomadas nas par&#x00F3;quias do norte com o objetivo de inibir a comunica&#x00E7;&#x00E3;o entre os escravos locais e os estrangeiros que frequentemente repassavam not&#x00ED;cias sobre os acontecimentos mais recentes. Em St. James, assim como em outros lugares, essas precau&#x00E7;&#x00F5;es atingiram principalmente os espanh&#x00F3;is locais, incluindo comerciantes respeit&#x00E1;veis e aqueles que trabalhavam para eles. Eles haviam se estabelecido na costa visando o com&#x00E9;rcio lucrativo de escravos, animais e outros artigos que j&#x00E1; eram legais h&#x00E1; muito tempo. Em Montego Bay, o comit&#x00EA; de seguran&#x00E7;a come&#x00E7;ou a impor novas regras em meados de novembro, exigindo que os marinheiros estrangeiros estivessem a bordo de seus navios depois das oito horas da noite e restringindo as partidas e chegadas &#x00E0;s horas do dia. Em poucos dias, medidas mais r&#x00ED;gidas exigiram a partida imediata de um grande n&#x00FA;mero de &#x201C;vadios&#x201D; espanh&#x00F3;is &#x2013; embora apenas cerca de trinta dessas pessoas tenham sido expulsas &#x2013; e lan&#x00E7;aram um esfor&#x00E7;o simult&#x00E2;neo para evitar que outros espanh&#x00F3;is suspeitos &#x201C;se ocultassem no pa&#x00ED;s&#x201D;. Embora esse conjunto de medidas &#x201C;tenha agradado aos pr&#x00F3;prios comerciantes espanh&#x00F3;is&#x201D;, de acordo com Winn, muitos cooperaram com relut&#x00E2;ncia, se &#x00E9; que cooperaram. Um capit&#x00E3;o recusou-se a transportar prisioneiros de volta para Cuba, pois &#x201C;todos eram assassinos e ladr&#x00F5;es que fugiram da justi&#x00E7;a e atacaram a tripula&#x00E7;&#x00E3;o e tomariam o comando de seu navio&#x201D;.<xref rid="fn84" ref-type="fn"><sup>84</sup></xref></p>
<p>&#x00C9; significativo que os problem&#x00E1;ticos &#x201C;espanh&#x00F3;is&#x201D; da costa norte da Jamaica no in&#x00ED;cio da d&#x00E9;cada de 1790 inclu&#x00ED;ssem muitas pessoas negras e pardas. Um dos residentes perseguidos pela lei em novembro de 1791 era um &#x201C;negro espanhol&#x201D; chamado Philip. No final daquele m&#x00EA;s, Philip foi preso ap&#x00F3;s tentar sem sucesso comprar p&#x00F3;lvora em v&#x00E1;rias lojas em Montego Bay. O perfil da vida de Philip tra&#x00E7;ado no relat&#x00F3;rio do comit&#x00EA; de seguran&#x00E7;a de St. James fornece um retrato impressionante do tipo de indiv&#x00ED;duo &#x2013; sem senhor e que desfrutava de grande mobilidade &#x2013; que podia desempenhar um papel central na comunica&#x00E7;&#x00E3;o durante per&#x00ED;odos de agita&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tica. &#x201C;Not&#x00E1;vel por sua intelig&#x00EA;ncia, sua disposi&#x00E7;&#x00E3;o ardilosa, seu curso de vida ocioso, sua jogatina e a extens&#x00E3;o de suas conex&#x00F5;es&#x201D;, Philip havia migrado de sua Cuba natal para a Jamaica em algum momento da primavera de 1788. Durante os tr&#x00EA;s anos seguintes, ele fez os ajustes culturais necess&#x00E1;rios, aprendeu ingl&#x00EA;s e casou-se com uma escrava jamaicana. Embora n&#x00E3;o tivesse trabalhado por cerca de tr&#x00EA;s meses no momento da sua pris&#x00E3;o, Philip havia sido &#x201C;geralmente empregado no com&#x00E9;rcio costeiro&#x201D; e sem d&#x00FA;vida expandiu sua vasta experi&#x00EA;ncia e contatos durante seus anos como marinheiro. O amigo &#x201C;perigoso e travesso&#x201D; de Philip, Jack, ele pr&#x00F3;prio um ex-estivador, mostrou-se igualmente bem conectado e sem ra&#x00ED;zes. Recentemente, Jack fugiu do seu dono e conseguiu ser contratado por um comerciante judeu para &#x201C;vender pelo pa&#x00ED;s em troca de comiss&#x00E3;o&#x201D;. No curso de suas viagens, Jack cobriu uma vasta &#x00E1;rea que inclu&#x00ED;a St. James, bem como as par&#x00F3;quias vizinhas de Trelawny e Hanover; ele tinha conhecidos de Montego Bay a Lucea, a cerca de vinte e quatro milhas de dist&#x00E2;ncia. Embora seus destinos finais permane&#x00E7;am desconhecidos, Philip e Jack podem muito bem estar entre os &#x201C;vagabundos&#x201D; transportados para Cuba. S&#x00F3; podemos especular sobre a forma que sua resist&#x00EA;ncia pode ter assumido nos anos posteriores.<xref rid="fn85" ref-type="fn"><sup>85</sup></xref></p>
<p>&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;&#x02DC;</p>
<p>Os propriet&#x00E1;rios de todo o mundo, como os da costa norte da Jamaica, rapidamente levantaram sua guarda contra os estrangeiros sem senhor. Pessoas como Philip e Jack podiam ser encontradas em todo o Caribe, desempenhando pap&#x00E9;is importantes na comunica&#x00E7;&#x00E3;o durante as primeiras fases da revolu&#x00E7;&#x00E3;o em S&#x00E3;o Domingos. Al&#x00E9;m desses indiv&#x00ED;duos, no entanto, muitas outras fontes de informa&#x00E7;&#x00F5;es e id&#x00E9;ias tornaram-se dispon&#x00ED;veis para escravos que tentavam compreender o mundo ao seu redor. Se a rebeli&#x00E3;o negra em S&#x00E3;o Domingos teve um significado especial imediato para os escravos, outros acontecimentos apontavam para as correntes ideol&#x00F3;gicas mais abrangentes que se concentraram na col&#x00F4;nia francesa e se espalharam por outras partes das Am&#x00E9;ricas. Como os fren&#x00E9;ticos preparativos militares que os fazendeiros e as autoridades coloniais da Jamaica esperavam em v&#x00E3;o que permanecessem em segredo, o debate sobre as id&#x00E9;ias e pol&#x00ED;ticas da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa rapidamente assumiu uma dimens&#x00E3;o p&#x00FA;blica irreprim&#x00ED;vel no in&#x00ED;cio da d&#x00E9;cada de 1790.</p>
<p>Mesmo antes da execu&#x00E7;&#x00E3;o de Lu&#x00ED;s XVI em Paris e da declara&#x00E7;&#x00E3;o de guerra da Conven&#x00E7;&#x00E3;o Nacional contra a Gr&#x00E3;-Bretanha, Espanha e Holanda, essas na&#x00E7;&#x00F5;es se prepararam para a prov&#x00E1;vel perspectiva de uma luta militar contra os franceses. Nas col&#x00F4;nias brit&#x00E2;nicas, como na Inglaterra, a prepara&#x00E7;&#x00E3;o para a guerra que se aproximava assumiu uma dimens&#x00E3;o ideol&#x00F3;gica e tamb&#x00E9;m militar. No in&#x00ED;cio de 1793, os rituais contra-revolucion&#x00E1;rios j&#x00E1; proeminentes na Inglaterra apareceram pela primeira vez nas col&#x00F4;nias brit&#x00E2;nicas, onde os inimigos da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa e da doutrina dos Direitos do Homem usavam ocasi&#x00F5;es p&#x00FA;blicas de maneiras cuidadosamente administradas para conter a dissemina&#x00E7;&#x00E3;o de id&#x00E9;ias igualit&#x00E1;rias. Os residentes de Barbados j&#x00E1; sentiram a &#x201C;grande expectativa de guerra&#x201D; em janeiro, quando uma multid&#x00E3;o em Bridgetown ergueu uma ef&#x00ED;gie de Tom Paine segurando &#x201C;seus direitos do homem&#x201D; e a queimou nas ruas da capital da ilha. Uma cena semelhante ocorreu na vizinha Granada, um m&#x00EA;s depois. Desta vez, a ef&#x00ED;gie de Paine foi exibida pela primeira vez &#x201C;um dia na forca&#x201D; antes de ser queimada &#x201C;em meio aos gritos de um grande n&#x00FA;mero de pessoas&#x201D;.<xref rid="fn86" ref-type="fn"><sup>86</sup></xref></p>
<p>Em abril de 1793, essa pr&#x00E1;tica chegou &#x00E0; Jamaica. A ilha esteve mais movimentada do que de costume desde os &#x00FA;ltimos dias de mar&#x00E7;o, quando os navios brit&#x00E2;nicos voltando de S&#x00E3;o Domingos e o pacote da Inglaterra confirmaram simultaneamente a eclos&#x00E3;o da guerra entre a Gr&#x00E3;-Bretanha e a Fran&#x00E7;a. Em 3 de abril, o governador fez uma proclama&#x00E7;&#x00E3;o limitando severamente a liberdade de movimento de estrangeiros, exigindo que portassem uma &#x201C;licen&#x00E7;a especial&#x201D; para pisar fora de um raio de cinco milhas de Kingston. Enquanto isso, a marinha ofereceu recompensas aos marinheiros mercantes por se alistarem nos navios de guerra de Sua Majestade, e um escrit&#x00F3;rio foi aberto para receber e administrar prisioneiros de guerra republicanos.<xref rid="fn87" ref-type="fn"><sup>87</sup></xref> Nas semanas seguintes, a guerra trouxe a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa desconfortavelmente perto. N&#x00E3;o s&#x00F3; os soldados franceses capturados trazidos para a Jamaica conseguiram escapar de seu local de confinamento dilapidado, mas seus oficiais em liberdade condicional &#x201C;se atreveram&#x201D; a andar pelas ruas de Kingston &#x201C;enfeitados [ &#x2026;] com <italic>Cockades</italic> nacionais&#x201D;, brandindo armas e cantando &#x201C;a rebelde can&#x00E7;&#x00E3;o de <italic>&#x00C7;a Ira</italic>.&#x201D;<xref rid="fn88" ref-type="fn"><sup>88</sup></xref></p>
<p>Contra esse pano de fundo colorido, fazendeiros e autoridades do governo colonial jamaicanos realizaram um esfor&#x00E7;o p&#x00FA;blico para desacreditar os franceses e suas id&#x00E9;ias entre abril e junho de 1793. As fogueiras anti-Paine constitu&#x00ED;ram a principal atra&#x00E7;&#x00E3;o nas celebra&#x00E7;&#x00F5;es iguais em Lucea e Montego Bay, marcando o d&#x00E9;cimo primeiro anivers&#x00E1;rio da celebrada vit&#x00F3;ria do Almirante Rodney sobre a frota francesa no Caribe durante a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Americana. A persist&#x00EA;ncia da amea&#x00E7;a francesa e sua perigosa forma atual compuseram os temas centrais da manifesta&#x00E7;&#x00E3;o em Montego Bay: Paine foi queimado ao lado do Duque de Orleans, apelidado de &#x201C;Mons. Egalit&#x00E9;&#x201D;, diante de um grupo com &#x201C;o maior n&#x00FA;mero de pessoas j&#x00E1; reunidas aqui&#x201D;.<xref rid="fn89" ref-type="fn"><sup>89</sup></xref></p>
<p>Em meados de maio, a primeira tradu&#x00E7;&#x00E3;o oficial para o ingl&#x00EA;s da Declara&#x00E7;&#x00E3;o dos Direitos do Homem da Conven&#x00E7;&#x00E3;o Francesa chegou &#x00E0; primeira p&#x00E1;gina do jornal mais lido da ilha. Como se fosse em resposta a esse esfor&#x00E7;o de se dirigir a um p&#x00FA;blico de l&#x00ED;ngua inglesa, as sucessivas queimadas de ef&#x00ED;gies de Paine na Jamaica tornaram-se mais elaboradas e dirigiam-se com mais veem&#x00EA;ncia contra os protestos internos. Em Savanna-la-Mar, no in&#x00ED;cio de junho, a ef&#x00ED;gie de Paine balan&#x00E7;ou amea&#x00E7;adoramente para frente e para tr&#x00E1;s diante do rosto de um tal Thomas Bullman, recentemente &#x201C;condenado [ &#x2026;] por fazer uso de express&#x00F5;es sediciosas&#x201D; e confinado em um pelourinho. A apari&#x00E7;&#x00E3;o de Paine nesta ocasi&#x00E3;o foi projetada para transmitir uma mensagem clara a Bullman e &#x00E0; multid&#x00E3;o de espectadores interessados:
<disp-quote>
<p>O patife usava o chap&#x00E9;u vermelho (o bon&#x00E9; distinto dos jacobinos), na frente do qual estava escrito, em letras pretas, &#x201C;Brissot &#x2014; Marat &#x2014; Roberspierre (sic) &#x2014;Egalit&#x00E9; e, embaixo, &#x201C;Falsa Filosofia &#x2014; Massacre&#x2014; Pilhagem &#x2014; Fraude &#x2014; Perj&#x00FA;rio&#x201D;. Em sua m&#x00E3;o direita segurava um papel, com as seguintes palavras como p&#x00E1;gina de rosto: &#x201C;Direitos do Homem, ali&#x00E1;s Direitos de pilhagem&#x201D;; sob o bra&#x00E7;o esquerdo, um velho par de espartilhos.</p>
</disp-quote></p><p>
Enquanto uma banda tocava &#x201C;Deus salve o rei&#x201D;, o corpo de Paine, recheado de p&#x00F3;lvora, foi incendiado e &#x201C;logo explodiu, para entretenimento de um grande n&#x00FA;mero de espectadores&#x201D;. No m&#x00EA;s seguinte, uma ocasi&#x00E3;o semelhante lembrou aos residentes de Kingston da origem antiescravista de Paine. Em julho de 1793, o radical ingl&#x00EA;s cuja carreira como panflet&#x00E1;rio havia come&#x00E7;ado com tratados contra a escravid&#x00E3;o e o tr&#x00E1;fico foi simbolicamente enforcado e queimado em Kingston, junto com uma ef&#x00ED;gie retratando o mais conhecido cruzado antiescravista contempor&#x00E2;neo, William Wilberforce.<xref rid="fn90" ref-type="fn"><sup>90</sup></xref></p>
<p>Embora os artigos de jornal apresentem um quadro detalhado e sugestivo da estrutura desses rituais contra-revolucion&#x00E1;rios e se refiram a &#x201C;grandes&#x201D; multid&#x00F5;es, quest&#x00F5;es mais gerais permanecem sobre o papel da pol&#x00ED;tica popular (e antipopular) nas sociedades escravistas durante a &#x00E9;poca da revolu&#x00E7;&#x00E3;o. Qual foi a rea&#x00E7;&#x00E3;o popular a esse esfor&#x00E7;o conjunto para desacreditar Paine e os revolucion&#x00E1;rios franceses? Em que medida a din&#x00E2;mica das sociedades escravistas afetou ou alterou o car&#x00E1;ter e o significado desses rituais pol&#x00ED;ticos? Os negros se viam como participantes ativos na pol&#x00ED;tica de revolu&#x00E7;&#x00E3;o e contra-revolu&#x00E7;&#x00E3;o, ou eventos como a queima de ef&#x00ED;gies simplesmente tendiam a confundi-los e ficaram perif&#x00E9;ricos &#x00E0;s suas preocupa&#x00E7;&#x00F5;es?</p>
<p>Se bem que seja quase imposs&#x00ED;vel responder totalmente a essas quest&#x00F5;es cruciais, a maneira e a frequ&#x00EA;ncia das fogueiras antifrancesas na Jamaica e em outras ilhas brit&#x00E2;nicas sugerem que, como a ef&#x00ED;gie de Paine em Savanna-la-Mar, as discuss&#x00F5;es sobre a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa e sua ideologia literalmente vieram &#x00E0; tona em meados de 1793. E em sociedades divididas por classes e ra&#x00E7;a, as manifesta&#x00E7;&#x00F5;es p&#x00FA;blicas da elite podem ter sido uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que intimidavam e promoviam o conformismo, eles tamb&#x00E9;m acentuavam e enfatizavam vividamente o grande desafio que a Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa representou para a escravid&#x00E3;o.<xref rid="fn91" ref-type="fn"><sup>91</sup></xref> Mesmo que escravos, negros livres e outros que testemunharam o ritual (a queima de Paine, Wilberforce e os Direitos do Homen) n&#x00E3;o tivessem acompanhado anteriormente o avan&#x00E7;o da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o Francesa e sua contraparte caribenha, provavelmente acabaram com uma ideia sobre as quest&#x00F5;es em jogo, ideias opostas &#x00E0;s inten&#x00E7;&#x00F5;es de seus patrocinadores. A fuma&#x00E7;a das fogueiras da farsa teatral com as ef&#x00ED;gies mal havia se dissipado na v&#x00E9;spera do anivers&#x00E1;rio da Queda da Bastilha em 1793, quando as autoridades na cidade espanhola vizinha interrogaram quatro &#x201C;negros franceses&#x201D; recentemente capturados que estavam sendo detidos na casa de trabalho for&#x00E7;ado. Sendo pura coincid&#x00EA;ncia ou uma declara&#x00E7;&#x00E3;o pol&#x00ED;tica reveladora, um dos prisioneiros negros se autodenominava &#x201C;John Paine&#x201D;.</p>
</body>
<back>
<fn-group>
<fn id="fn1"><label>1.</label><p>James Baillie a James Rogers, Richard Martin a Rogers, 14 de dezembro de 1790, Moses Myers a Rogers, 10 de janeiro de 1791, Rogers Papers.</p></fn>
<fn id="fn2"><label>2.</label><p>Juan Baptista Vaillant a Luis de Las Casas, Cuba, 3 de julho de 1790, 22 de dezembro de 1790, 24 de dezembro de 1790, 26 de janeiro de 1791, AGI, Cuba, leg. 1434; Lucas de Galvez a Conde Campo de Alange, M&#x00E9;rida Yucat&#x00E1;n, 8 de fevereiro de 1791, AGI, Secci&#x00F3;n de Gobierno, Audiencia de M&#x00E9;xico, leg. 3024.</p></fn>
<fn id="fn3"><label>3.</label><p>Juan Guillelmi a Pedro de Lerena, Caracas, 29 de setembro de 1790, AGI, Caracas, leg. 907.</p></fn>
<fn id="fn4"><label>4.</label><p>Citado em Lothrop Stoddard, <italic>The French Revolution in San Domingo</italic> (Boston and New York: Houghton Mifflin Company, 1914), 72&#x2013;73.</p></fn>
<fn id="fn5"><label>5.</label><p>Las Casas a Campo de Alange, Havana, 20 de setembro de 1790, AGI, Santo Domingo, leg. 1253. As Reales C&#x00E9;dulas de 23 e 24 de setembro de 1789 e de maio de 1790 proibiam a introdu&#x00E7;&#x00E3;o &#x201C;de qualquer pessoa francesa sem exce&#x00E7;&#x00E3;o de classe&#x201D;. Ver Las Casas a Campo de Alange, Havana, 16 de novembro de 1791, AGI, Cuba, leg. 1486.</p></fn>
<fn id="fn6"><label>6.</label><p>Las Casas a Campo de Alange, Havana, 17 de agosto de 1790, AGI, Santo Domingo, leg. 1253.</p></fn>
<fn id="fn7"><label>7.</label><p>Philip Affleck a Philip Stephens, 28 de setembro de 1789, ADM 1/244, PRO.</p></fn>
<fn id="fn8"><label>8.</label><p>Domingo Cabello a Antonio Vald&#x00E9;s, Havana, 25 de fevereiro de 1790, AGI, Santo Domingo, leg. 1254.</p></fn>
<fn id="fn9"><label>9.</label><p>Joaqu&#x00ED;n Garc&#x00ED;a a Antonio Porlier, Santo Domingo, 25 de julho de 1790, AGI, Santo Domingo, leg. 953; Las Casas a Porlier, Havana, 30 de julho de 1790, AGI, S&#x00E3;o Domingos, leg. 1253; Garc&#x00ED;a a Lerena, S&#x00E3;o Domingos, 3 de agosto de 1791, AGI, S&#x00E3;o Domingos, leg. 954.</p></fn>
<fn id="fn10"><label>10.</label><p>Garc&#x00ED;a a Vald&#x00E9;s, Santo Domingo, 25 de maio de 1790, AGI, Santo Domingo, leg. 953.</p></fn>
<fn id="fn11"><label>11.</label><p>C. L. R. James, <italic>The Black Jacobins</italic> (New York: Random House, 1963), 74&#x2013;75.</p></fn>
<fn id="fn12"><label>12.</label><p>Joseph Antonio Vrizar a Porlier, Santo Domingo, 25 de novembro, 25 de dezembro de 1790, AGI, Santo Domingo, leg. 1027; Adam Williamson a Lord Grenville, 4 de julho de 1791, C.O. 137/89, PRO.</p></fn>
<fn id="fn13"><label>13.</label><p><italic>Savanna-la-Mar Gazette</italic>, 29 de julho, 5 de agosto de 1788; <italic>St. George&#x2019;s Chronicle and New Grenada Gazette</italic>, St. George&#x2019;s (Granada), 8 de outubro de 1790, em AAS.</p></fn>
<fn id="fn14"><label>14.</label><p>Affleck a Stephens, 14 de setembro de 1789, 12 de setembro de 1790, ADM 1/244, PRO.</p></fn>
<fn id="fn15"><label>15.</label><p>Williamson a Grenville, 5 de agosto de 1791, C.O. 137/89, PRO. Trocava-se tanta informa&#x00E7;&#x00E3;o na Jamaica durante as primeiras etapas da Revolu&#x00E7;&#x00E3;o francesa que o com&#x00E9;rcio de Cuba em pequenas embarca&#x00E7;&#x00F5;es chegou a ser a fonte mais confi&#x00E1;vel de not&#x00ED;cias na ilha espanhola sobre os acontecimentos em Santo Domingo e Europa.</p></fn>
<fn id="fn16"><label>16.</label><p><italic>Kingston Daily Advertiser</italic>, 12 de janeiro de 1791, AAS; Williamson a Grenville, 5 de agosto de 1791, C.O. 137/89, PRO.</p></fn>
<fn id="fn17"><label>17.</label><p>Frances Armytage, <italic>The Free Port System in the British West Indies; a Study in Commercial Policy, 1766&#x2013;1822</italic> (Londres: Longmans, Green, 1953), 36&#x2013;46.</p></fn>
<fn id="fn18"><label>18.</label><p>E. L. Joseph, <italic>History of Trinidad</italic> (Port of Spain, Londres e Glasgow, 1838), 161&#x2013;166. Joseph afirmou que mesmo nos seus tempos, quarenta anos ap&#x00F3;s a anexa&#x00E7;&#x00E3;o brit&#x00E2;nica de Trinidad em 1797, &#x201C;o franc&#x00EA;s crioulo &#x00E9; mais a l&#x00ED;ngua do povo daqui do que o ingl&#x00EA;s ou o espanhol&#x201D;.</p></fn>
<fn id="fn19"><label>19.</label><p>Thomas Atwood, <italic>History of the Island of Dominica</italic> (Londres, 1791), 218; Joseph, <italic>History of Trinidad</italic>, 166&#x2013;167.</p></fn>
<fn id="fn20"><label>20.</label><p>Minutes of WIPM, 23 de mar&#x00E7;o, 1 de abril, 6 de abril de 1790, rollo 3. Para a Real C&#x00E9;dula do 14 de abril de 1789, ver AGI, Indiferente General, leg. 2787.</p></fn>
<fn id="fn21"><label>21.</label><p><italic>St. George&#x2019;s Chronicle and New Grenada Gazette</italic>, 27 de agosto, 10 de setembro, 15 de setembro de 1790.</p></fn>
<fn id="fn22"><label>22.</label><p><italic>St. George&#x2019;s Chronicle and New Grenada Gazette</italic>, 20 de agosto, 22 de outubro, 29 de outubro, 11 de novembro de 1790. Para mais casos, ver ib&#x00ED;dem, 13 de agosto, 27 de agosto e 15 de outubro de 1790.</p></fn>
<fn id="fn23"><label>23.</label><p>Cartas citadas em William J. Callahan, Jr., &#x201C;La propaganda, la sedici&#x00F3;n y la Revoluci&#x00F3;n francesa en la Capitan&#x00ED;a General de Venezuela (1789&#x2013;1796)&#x201D;, <italic>Bolet&#x00ED;n Hist&#x00F3;rico</italic>, Caracas, n&#x00FA;m. 14 (maio de 1967): 200, 201&#x2013;202.</p></fn>
<fn id="fn24"><label>24.</label><p>Porlier a Lerena, Aranjuez, 14 de junho de 1790, AGI, Indiferente General, leg. 2787; Las Casas a Porlier, Havana, 7 de agosto, 12 de agosto de 1790, AGI, Santo Domingo, leg. 1253.</p></fn>
<fn id="fn25"><label>25.</label><p>Guillelmi a Lerena, Caracas, 29 de setembro de 1790, AGI, Caracas, leg. 115.</p></fn>
<fn id="fn26"><label>26.</label><p>Ver, por exemplo, <italic>St. George&#x2019;s Chronicle and New Grenada Gazette</italic>, 17 de setembro de 1790.</p></fn>
<fn id="fn27"><label>27.</label><p><italic>St. George&#x2019;s Chronicle and New Grenada Gazette</italic>, 22 de outubro de 1790. El <italic>Chronicle</italic> aparecia em ingl&#x00EA;s e franc&#x00EA;s, como um jornal da Dominica, <italic>Gallagher&#x2019;s Weekly Journal Extraordinary</italic>, Roseau, Dominica. Ver o exemplar do 21 de dezembro de 1790 em C.O. 71/18</p></fn>
<fn id="fn28"><label>28.</label><p>Muitos exemplares dessas publica&#x00E7;&#x00F5;es da Martinica, Guadalupe e Santa L&#x00FA;cia s&#x00E3;o preservados em C.O. 71/20, PRO.</p></fn>
<fn id="fn29"><label>29.</label><p>Por exemplo, o <italic>St. George&#x2019;s Chronicle and New Grenada Gazette</italic> do 15 de outubro de 1790 refere-se a um jornal franc&#x00EA;s &#x201C;aristocr&#x00E1;tico&#x201D; publicado na Dominica.</p></fn>
<fn id="fn30"><label>30.</label><p>Jos&#x00E9; Mar&#x00ED;a Chac&#x00F3;n a Porlier, Trinidad, 27 de janeiro de 1790, AGI, Caracas, leg. 153; Guillelmi a Vald&#x00E9;s, Caracas, 2 de mar&#x00E7;o de 1790, AGI, Caracas, leg. 115.</p></fn>
<fn id="fn31"><label>31.</label><p>Henry L&#x00E9;mery, <italic>R&#x00E9;volution fran&#x00E7;aise &#x00E0; la Martinique</italic> (Paris: Larose, 1936), 21&#x2013;22; James Bruce a Lord Grenville, 8 de setembro de 1789, C.O. 71/16, PRO.</p></fn>
<fn id="fn32"><label>32.</label><p>Para uma interpreta&#x00E7;&#x00E3;o diferente, ver Michael Craton, <italic>Testing the Chains: Resistance to Slavery in the British West Indies</italic> (Ithaca e Londres: Cornell University Press, 1982), 224&#x2013;225.</p></fn>
<fn id="fn33"><label>33.</label><p>Ata do Conselho Privado, 22 de fevereiro de 1788, C.O. 71/15, PRO.</p></fn>
<fn id="fn34"><label>34.</label><p>Orde a Sydney, 10 de maio de 1788, 1 de setembro de 1788, C.O. 71/14, PRO; Orde a Sydney, 13 de dezembro de 1788, 22 de janeiro de 1789, C.O. 71/15, PRO.</p></fn>
<fn id="fn35"><label>35.</label><p>Orde a Sydney e os depoimentos anexados, 29 de maio de 1788, C.O. 71/14, PRO; &#x201C;Statement of the Case of the Captain &amp; Crew of the Schooner Union of Barbados&#x201D;, 31 de dezembro de 1790, C.O. 71/18, PRO.</p></fn>
<fn id="fn36"><label>36.</label><p>Orde a Sydney, 13 de abril de 1788, C.O. 71/14, PRO; Bruce a Grenville, 15 de abril de 1790, C.O. 71/16, PRO; Ata do Conselho Privado, 27 de mar&#x00E7;o de 1790, C.O. 71/17, PRO; Orde a Grenville, 8 de janeiro de 1791, C.O. 71/18, PRO.</p></fn>
<fn id="fn37"><label>37.</label><p>Atwood, <italic>History of the Island of Dominica</italic>, 219&#x2013;20. Segundo estimativas oficiais, esses mesti&#x00E7;os livres representavam apenas cerca de 3% da popula&#x00E7;&#x00E3;o da ilha em 1791, em compara&#x00E7;&#x00E3;o com 2.000 brancos (11%) e 15.400 escravos negros (86%). Ver &#x201C;Return of White People, Free People of Colour &amp; Blacks,&#x201D; 14 de fevereiro de 1791, C.O. 71/20, PRO.</p></fn>
<fn id="fn38"><label>38.</label><p><italic>St. George&#x2019;s Chronicle and New Grenada Gazette</italic>, 16 de julho, 26 de novembro 1790.</p></fn>
<fn id="fn39"><label>39.</label><p>Orde a Grenville, 8 de janeiro de 1791, C.O. 71/18, PRO.</p></fn>
<fn id="fn40"><label>40.</label><p>B. Blanc a Orde, 12 de enero de 1791, Renault Briollard a Orde, 13 de janeiro de 1791, C.O. 71/19, PRO. A ideia de que os escravos teriam dias para trabalhar em suas pr&#x00F3;prias colheitas e que seriam pagos &#x00E9; muito semelhante a rumores que circulavam na mesma &#x00E9;poca nas col&#x00F4;nias de escravos da Espanha. Dado o recente epis&#x00F3;dio de Trinidad, o c&#x00F3;digo escravo de 1789 pode ter influenciado essas vers&#x00F5;es. Veja o cap&#x00ED;tulo tr&#x00EA;s.</p></fn>
<fn id="fn41"><label>41.</label><p>Ata do Conselho Privado, 20 de janeiro de 1791, Orde a Granville, 3 de fevereiro de 1791, C.O. 71/19, PRO.</p></fn>
<fn id="fn42"><label>42.</label><p>Ata do Conselho Privado, 17, 20 de janeiro de 1791, Orde a Laforcy, 20 de janeiro, 28 de janeiro de 1791, C.O. 71/19, PRO.</p></fn>
<fn id="fn43"><label>43.</label><p>Orde a Magistrates and Planters, 15 de janeiro de 1791, Ata do Conselho, 24 de janeiro de 1791, C.O. 71/19, PRO.</p></fn>
<fn id="fn44"><label>44.</label><p>Orde a President of the Council and Speaker of the Assembly, 21 de janeiro de 1791, C.O. 71/19, PRO.</p></fn>
<fn id="fn45"><label>45.</label><p><italic>The Caribbean Register, or Ancient and Original Dominica Gazette</italic>, 26 de mar&#x00E7;o de 1791, ejemplar en C.O. 71/20, PRO; Ata do Conselho Privado, 29 de janeiro de 1791, C.O. 71/19, PRO.</p></fn>
<fn id="fn46"><label>46.</label><p><italic>L&#x2019;Ami de la Libert&#x00E9;, l&#x2019;Ennemi de la Licence</italic>, Port of Spain, 22 de fevereiro de 1791, exemplar em AAS. Infelizmente, esse &#x00E9; o &#x00FA;nico exemplar deste jornal que parece ter sobrevivido at&#x00E9; hoje.</p></fn>
<fn id="fn47"><label>47.</label><p>Mitchell B. Garrett, <italic>The French Colonial Question 1789&#x2013;1791; dealings of the constituent assembly with problems arising from the revolution in the West Indies</italic> (Ann Arbor, MI: G. Wahr, 1918), 97&#x2013;117; Bryan Edwards, <italic>The History, Civil and Commercial</italic>, of the British colonies in the West Indies, vol. iii (Londres: 1794), 68&#x2013;69; Stoddard, <italic>French Revolution in San Domingo</italic>, p. 129.</p></fn>
<fn id="fn48"><label>48.</label><p>Thomas O. Ott, <italic>The Haitian Revolution, 1791&#x2013;1804</italic> (Knoxville: The University of Tennessee Press 1973), 47&#x2013;52; James, <italic>Black Jacobins</italic>, 85&#x2013;90; Edwards, <italic>The History, Civil and Commercial</italic>, vol. iii, 83.</p></fn>
<fn id="fn49"><label>49.</label><p>Carta citada em L&#x00E9;on Deschamps, <italic>Les colonies pendant la R&#x00E9;volution: la Constituante et la r&#x00E9;forme coloniale</italic> (Paris: Perrin, 1898), 84. Para as chegadas e sa&#x00ED;das de Port-au-Prince e Les Cayes, veja <italic>Affiches am&#x00E9;ricaines</italic>, 11 de setembro de 1790, RSD.</p></fn>
<fn id="fn50"><label>50.</label><p>Benjamin Bailey a Christopher Champlin, 13 de fevereiro de 1790, Samuel Lawton a Christopher e George Champlin, 18 de fevereiro de 1791, reproduzida em <italic>Commerce of Rhode Island, 1726&#x2013;1800</italic>, 2 vols., Boston (MA), 1915, vol. ii, pp. 409&#x2013;410. 432&#x2013;433.</p></fn>
<fn id="fn51"><label>51.</label><p>Citado en Las Casas a Campo de Alange, Havana, 9 de novembro de 1791, AGI, Cuba, leg. 1486.Para outros exemplos, veja as observa&#x00E7;&#x00F5;es de Nicholas Thorndike (Salem) e William Newton (Charleston), com Las Casas a Ministro de Guerra, Havana, 8 de fevereiro de 1792, AGI, Cuba, leg. 1486; Las Casas a Campo de Alange, Havana, 7 de maio, 11 de julho de 1793, AGI, Santo Domingo, leg. 1261.</p></fn>
<fn id="fn52"><label>52.</label><p>Eugene Perry Link, <italic>Democratic-Republican Societies, 1790&#x2013;1800</italic> (New York: Columbia University Press, 1942), 26&#x2013;27, 95&#x2013;96; &#x201C;Lista de los franceses que se aprehendieron el 18 de mayo&#x201D;, Havana, 8 de julho de 1794, AGI, Cuba, leg. 1474. Ainda na d&#x00E9;cada de 1830, algumas organiza&#x00E7;&#x00F5;es de trabalhadores brancos continuavam a brindar &#x00E0; sa&#x00FA;de de Tom Paine em seus encontros e ao &#x201C;republicanismo puro&#x201D; do governo haitiano. Veja Eric Foner, <italic>Politics and Ideology in the Age of the Civil War</italic> (Oxford: Oxford University Press, 1980), 61.</p></fn>
<fn id="fn53"><label>53.</label><p>Vicomte Henri de Grimou&#x00E4;rd, <italic>L&#x2019;Amiral de Grimou&#x00E4;rd au Port-au-Prince d&#x2019;apr&#x00E9;s sa correspondence et son journal de bord (mars 1791-juillet 1792)</italic>, Par&#x00ED;s, 1937, p. 58; La Salle a Sonthonax, 24 de fevereiro [de 1793], reproduzido em Corre, <italic>Papiers du G&#x00E9;n&#x00E9;ral de la Salle</italic>, pp. 148&#x2013;149.</p></fn>
<fn id="fn54"><label>54.</label><p>&#x201C;A List of all Ships &amp; Vessels that have clear d&#x2019;Outwards at the Port of Jeremie in the Island of St. Domingo since the Commencement of the British Government 20th September to the 9th Novr. 1793&#x201D;, C.O. 137/92, PRO; Vrizar a Gardoqui, S&#x00E3;o Domingos, 25 de fevereiro de 1794, AGI, S&#x00E3;o Domingos, leg. 957</p></fn>
<fn id="fn55"><label>55.</label><p>George D. Terry, &#x201C;A Study of the Impact of the French Revolution and the Insurrections in Saint-Domingue upon South Carolina: 1790&#x2013;1805&#x201D;, tese de mestrado, University of South Carolina, 1975, pp. 11&#x2013;12, 38&#x2013;39.</p></fn>
<fn id="fn56"><label>56.</label><p>P. Bond a Lord Grenville, 2 de outubro de 1791, Foreign Office Records, class 4/ vol. 11, PRO; Mary Treudley, &#x201C;The United States and S&#x00E3;o Domingos, 1789&#x2013;1866&#x201D;, <italic>Journal of Race Development</italic>, n&#x00FA;m. 7 (julho de 1916): 103&#x2013;104; Alfred Nathaniel Hunt, &#x201C;The Influence of Haiti on the Antebellum South&#x201D;, tese de doutorado, University of Texas at Austin, 1975, p. 221n.</p></fn>
<fn id="fn57"><label>57.</label><p>Thomas Boyd, <italic>Light-horse Harry Lee</italic> (Nova Iorque e Londres: C. Scribner&#x2019;s sons, 1931), 206&#x2013;207; Richard R. Beeman, <italic>The Old Dominion and the New Nation, 1788&#x2013;1801</italic> (Lexington: The University Press of Kentucky, 1972), 95&#x2013;96; Daniel Bedinger a Henry Bedinger, 19 de setembro de 1797, Bedinger-Dandridge Family Papers, Duke University Library.</p></fn>
<fn id="fn58"><label>58.</label><p>Effingham a Dundas, 7 de setembro de 1791, C.O. 137/89 PRO; William Dineley a Rogers, 10 de setembro de 1791, Rogers Papers.</p></fn>
<fn id="fn59"><label>59.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 26 de novembro de 1791.</p></fn>
<fn id="fn60"><label>60.</label><p>Mary Smith a William Hammet, 29 de novembro de 1791, William and Benjamin Hammet Papers, Duke University Library.</p></fn>
<fn id="fn61"><label>61.</label><p>Carta citada em Fuller a Dundas, 2 de janeiro de 1792, FLB.</p></fn>
<fn id="fn62"><label>62.</label><p>Williamson a Dundas, 18 de setembro, 6 de novembro de 1791, C.O. 137/89, PRO. Para um exemplo de can&#x00E7;&#x00F5;es tradicionais de Trinidad baseadas parcialmente na revolta de escravos de Santo Domingo, ver David Lowenthal, <italic>West Indian Societies</italic> (Nova Iorque: Oxford University Press, 1972), 45. &#x00C9; poss&#x00ED;vel que esta can&#x00E7;&#x00E3;o tenha origem jamaicana. A popula&#x00E7;&#x00E3;o negra de Trinidad em 1807, ano em que um habitante da Ilha ouviu e tomou notas sobre a can&#x00E7;&#x00E3;o, inclu&#x00ED;a v&#x00E1;rias centenas de negros franceses enviados para l&#x00E1; da Jamaica depois que a Gr&#x00E3;-Bretanha anexou a ilha em 1797.</p></fn>
<fn id="fn63"><label>63.</label><p>&#x201C;Extract of a Letter from Jamaica dated Kingston 18th Novr. 1791&#x201D;, C.O. 137/89, PRO; &#x201C;Extract of a Letter dated Spanish Town Jamaica 5th Novr. 1791&#x201D;, FLB.</p></fn>
<fn id="fn64"><label>64.</label><p>Effingham a Dundas, 17 de setembro de 1791, C.O. 137/89, PRO; Stephen Fuller a Dundas, 30 de outubro de 1791, FLB.</p></fn>
<fn id="fn65"><label>65.</label><p><italic>Journals of the Assembly of Jamaica</italic>, vol. ix, pp. 50, 82, 85; Williamson a Dundas, 12 de fevereiro de 1792, C.O. 137/90, PRO.</p></fn>
<fn id="fn66"><label>66.</label><p><italic>Journals of the Assembly of Jamaica,</italic> IX, pp. 319, 332; <italic>Royal Gazette</italic>, 28 de julho de 1792.</p></fn>
<fn id="fn67"><label>67.</label><p><italic>Journals of the Assembly of Jamaica</italic>, vol. ix, pp. 319, 332; <italic>Royal Gazette</italic>, 28 de julho de 1792</p></fn>
<fn id="fn68"><label>68.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 25 de agosto de 1792, 13 de abril de 1793. Para outros exemplos de dom&#x00E9;sticos de Santo Domingo que escaparam de seus senhores na Jamaica durante este per&#x00ED;odo, incluindo bil&#x00ED;ng&#x00FC;es (pelo menos em termos de idiomas europeus), veja <italic>Royal Gazette</italic>, 28 de julho, 4 de agosto, 10 de novembro de 1792, e 9 de mar&#x00E7;o, 17 de agosto, 26 de setembro de 1793.</p></fn>
<fn id="fn69"><label>69.</label><p>Affleck a Stephens, 5 de novembro de 1791, &#x201C;A List of His Majesty&#x2019;s Ships &amp; Vessels on the Jamaica Station, and upon what Services employed&#x201D;, 17 de junho de 1792, ADM 1/244, PRO.</p></fn>
<fn id="fn70"><label>70.</label><p>No entanto, no final do ano, a Assembl&#x00E9;ia aprovou a elimina&#x00E7;&#x00E3;o dessas medidas por serem muito caras e delet&#x00E9;rias para o valoroso com&#x00E9;rcio da ilha com o exterior. <italic>Journals of the Assembly of Jamaica</italic>, vol. ix, p&#x00E1;g. 90, 139&#x2013;140, 173.</p></fn>
<fn id="fn71"><label>71.</label><p><italic>Journals of the Assembly of Jamaica</italic>, vol. ix, pp. 218, 235. Embora as datas n&#x00E3;o coincidam exatamente, uma reportagem de jornal sobre a chegada e pris&#x00E3;o de &#x201C;um mulato, cinco negros e duas mulheres [que] chegaram aqui em um barco aberto [&#x2026;] de Porto Pr&#x00ED;ncipe&#x201D; provavelmente se refere ao mesmo incidente relatado por Bartlett. Veja <italic>Royal Gazette</italic>, 31 de agosto de 1793.</p></fn>
<fn id="fn72"><label>72.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 21 de abril de 1792; interrogatorio a James Ball, 30 de outubro de 1794, documentos de &#x201C;7 Negro Slaves&#x201D; (1794), Records of the High Court of Vice-Admiralty (Kingston, Jamaica), Jamaica Archives, Spanish Town (JHCVA Papers). Veja tamb&#x00E9;m o caso de John McArthur, um mulato que retornou &#x00E0; Jamaica depois de ser vendido a um franc&#x00EA;s em Santo Domingo, <italic>Royal Gazette</italic>, 1 de dezembro de 1792.</p></fn>
<fn id="fn73"><label>73.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 18 de fevereiro de 1792.</p></fn>
<fn id="fn74"><label>74.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 12 de maio de 1792.</p></fn>
<fn id="fn75"><label>75.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 19 de maio de 1792.</p></fn>
<fn id="fn76"><label>76.</label><p>Veja, por exemplo, o caso de Adjo, <italic>Royal Gazette</italic>, 1 de dezembro de 1792.</p></fn>
<fn id="fn77"><label>77.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 19 de enero, 9 de febrero, 13 de abril de 1793.</p></fn>
<fn id="fn78"><label>78.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 19 de maio de 1792, 3 de agosto de 1793.</p></fn>
<fn id="fn79"><label>79.</label><p>&#x201C;Extract of a Letter from Jamaica&#x201D;, dated Kingston 18th Novr. 1791&#x201D;, C.O. 137/89, PRO.</p></fn>
<fn id="fn80"><label>80.</label><p><italic>Morning Chronicle</italic>, Londres, 2 de fevereiro de 1792, exemplar em FLB; Williamson a Dundas, 27 de novembro de 1791, C.O. 137/90, PRO; Smith a Hammet, 29 de novembro de 1791, Hammet Papers.</p></fn>
<fn id="fn81"><label>81.</label><p>David Geggus, &#x201C;Jamaica and the Saint-Domingue Slave Revolt, 1791&#x2013;1793&#x201D;, <italic>The Americas</italic>, n&#x00FA;m. 38 (outubro de 1981): 219&#x2013;221.</p></fn>
<fn id="fn82"><label>82.</label><p>Todos os exemplos s&#x00E3;o retirados de &#x201C;Minutes of the proceedings of the Committee of Secrecy and Safety in the Parish of St. James&#x2019;s, Jamaica&#x201D;, C.O. 137/90, PRO.</p></fn>
<fn id="fn83"><label>83.</label><p>Al&#x00E9;m de &#x201C;Minutes&#x201D;, ib&#x00ED;dem, veja a carta de Winn em <italic>Morning Chronicle</italic>, Londres, 2 de fevereiro de 1792, FLB. As reclama&#x00E7;&#x014D;es francesas de que os espanh&#x00F3;is de Santo Domingo auxiliavam os escravos rebeldes aumentaram a animosidade contra os espanh&#x00F3;is na Jamaica. ver Royal Gazette, 7 de abril de 1792.</p></fn>
<fn id="fn84"><label>84.</label><p>&#x201C;Minutes [&#x2026;] of the Committee of Secrecy and Safety&#x201D;, C.O. 137/90, PRO. A carta de acompanhamento de Winn indica que a par&#x00F3;quia de Hanover havia tomado medidas semelhantes contra os residentes espanh&#x00F3;is. Mas em 1793 &#x201C;sete oitavos&#x201D; dos oitenta estrangeiros que cumpriram a ordem de registro em Montego Bay eram espanh&#x00F3;is. Veja <italic>Royal Gazette</italic>, 27 de abril de 1793.</p></fn>
<fn id="fn85"><label>85.</label><p>&#x201C;Minutes [&#x2026;] of the Committee of Secrecy and Safety&#x201D;, C.O. 137/90, PRO.</p></fn>
<fn id="fn86"><label>86.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 2 de fevereiro, 9 de mar&#x00E7;o de 1793.</p></fn>
<fn id="fn87"><label>87.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 30 de mar&#x00E7;o, 6 de abril, 13 de abril de 1793.</p></fn>
<fn id="fn88"><label>88.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 20 de abril, 27 de abril de 1793.</p></fn>
<fn id="fn89"><label>89.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 20 de abril, 27 de abril de 1793.</p></fn>
<fn id="fn90"><label>90.</label><p><italic>Royal Gazette</italic>, 8 de junho de 1793; [Falconbridge], <italic>Narrative of Two Voyages</italic>, p. 234.</p></fn>
<fn id="fn91"><label>91.</label><p>E. P. Thompson aponta que na Inglaterra &#x201C;cada fogueira sob a ef&#x00ED;gie de Paine serviu para iluminar as diferen&#x00E7;as entre a Constitui&#x00E7;&#x00E3;o da nobreza e os Direitos do povo, mesmo que n&#x00E3;o fosse essa a sua inten&#x00E7;&#x00E3;o&#x201D;. Pelo menos um dos seguidores ingleses de Paine achou a queima de ef&#x00ED;gies era &#x201C;melhor para a causa do que os argumentos mais substanciais&#x201D;, e ele os creditou por inflamar &#x201C;o esp&#x00ED;rito de investiga&#x00E7;&#x00E3;o que se espalhou; dificilmente h&#x00E1; uma velha que n&#x00E3;o esteja falando de pol&#x00ED;tica&#x201D;. E. P. Thompson, <italic>The Making of the English Working Class</italic> (Nova Iorque: Pantheon Books, 1964), 113, 122.</p></fn>
</fn-group>
<ref-list>
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